FLUMINENSE CAMPEÃO DA AMÉRICA (por Marcelo Savioli)

Amigos, amigos, a América está louca da cabeça. O Fluminense escreveu seu nome na história da Libertadores já lá em 2008. Colocamos nossa assinatura na maior tragédia da história da competição. Com todo respeito à LDU, mas naquele 02 de julho o que se viu foi a história da tragédia tricolor sendo contada, depois de uma campanha épica, em que derrotamos, em nossa trajetória, dois dos melhores times da época no continente: São Paulo e Boca Juniors.

No dia 04 de novembro, nós a colocamos na taça, muito merecida por esse povo, que viveu um sábado louco da cabeça. A música que embalou a caminhada tricolor é de autoria do meu amigo Wago, velho companheiro de boemia e de arquibancada durante muitos anos. A primeira vez que me lembro de ter ouvido a galera cantando que “isso aqui é arquibancada, não é sofá” foi numa partida em São Januário na Libertadores de 2013.

“Vamos tricolores, chegou a hora vamos ganhar a Libertadores”, entoava a torcida que nem sabia que precisaria ficar louca da cabeça um dia para conquistar o continente. Não fomos, agora somos, com a mesma canção embalando a arquibancada, as ruas e bares do Rio de Janeiro e do Brasil afora.

O Fluminense conquistou a Libertadores em uma jornada louca da cabeça. Sempre temido, embora ainda sem ganhar o beijo da taça mais cobiçada do continente, o Flu começou arrasador, com 100% de aproveitamento no primeiro turno da fase de grupos. Fez duas grandes exibições contra Cristal, na estreia, e River, assombrando o mundo futebolístico.

Quando parecia que a classificação viria fácil, tropeços e um desfecho de deixar qualquer um louco da cabeça no Maracanã. Empate com o Cristal, correndo sério risco de ficarmos de fora das fases de mata-mata. O futebol do Fluminense se desintegrava com muitos desfalques e com falta de peças de reposição.

Contra o Argentinos Juniors, um jogo completamente louco da cabeça, em que chegamos a ficar com menos um em campo, perdendo de 1 a 0. Por pouco, não chegamos à virada. No jogo de volta no Maracanã, aquele sufoco danado, com Samuel Xavier se consagrando. A classificação menos sofrida veio diante do Olímpia, depois de um banho tático de Diniz no Maracanã, que mais tarde nos custaria caro, porém não o suficiente para nos tirar da trajetória irreversível rumo à Glória Eterna.

Estivemos com a corda no pescoço e o pé na beira do precipício duas vezes contra o Inter. Ainda me lembro da explosão aqui em casa ao apito final em Porto Alegre. Ali nós dizíamos que “às vezes a felicidade demora a chegar” mas “Deus escolhe a estrela que tem que brilhar” e, afinal de contas, “estava escrito”.

Estava escrito que Fluminense e Boca Juniors disputariam a final num Maracanã colossal, o mesmo palco da tragédia de 2008, o mesmo onde conquistou o mundo em 1952 e onde, por duas vezes, conquistou o Brasil, fora os inúmeros Estaduais.

Não, não foi corrigida uma injustiça, é apenas a história desse gigante sendo escrita. Aquela LDU era um grande time e merecia tanto quanto nós a conquista. Pagamos pelos nossos erros, não foi por causa da crueldade com que o futebol muitas vezes lida com nossos sonhos.

Amigas, amigos, agora é pensar no bi, porque isso é o Fluminense. É sempre pensar na próxima conquista. Podemos falar na conquista do bi mundial ou do bi da Libertadores. Precisamos falar no penta Brasileiro e no tri do Estadual. Que tal ganharmos o bi da Copa do Brasil ano que vem? Gritar campeão é muito bom e nós adoramos.

Muita felicidade ver o menino JK marcando o gol do título e gravando seu nome para sempre na história da Libertadores. Superou um momento difícil em sua vida, e que esteja superado para sempre, porque é uma estrela que nasceu para brilhar, assim como o argentino louco da cabeça, artilheiro da Liberta, com o mesmo número de gols que o Boca, nosso adversário da final.

Diniz, que não esteve tão louco da cabeça assim, escalou o time de forma sensata, com Martinelli voltando de vez à condição de titular do meio de campo. Cometeu erros que quase nos custam muito caro, mas tem mérito total nessa conquista, assim como todos, da diretoria ao mais distante dos loucos da cabeça, cuja alma estava no Maracanã em 04 de novembro, inclusive aqueles que já se foram.

Enfim, amigos, amigas, obrigado Fluminense Football Club por mais esse momento mágico proporcionado às nossas vidas!

Saudações Tricolores e Todo Poder ao Pó-de-Arroz!

1 Comments

  1. Na Libertadores de 2008 a decisão foi no inverno e em 2023 na primavera. E para a minha alegria na data do meu aniversário.

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