Fluminense, 113 anos (por Eric Costa)

escudão do flu

Há quem você olhe e gere dúvidas.

Ao te observar, nunca as tive. E olha que meus primeiros momentos de lucidez racional foram naqueles tempos difíceis que você lembra tão bem sobretudo para não repetí-los.

Estive incansavelmente ao seu lado na segunda. Na terceira também. Ainda que tantos tenham me guiado a apreciar outras cores, jamais sequer olhei ao lado. Por suas cores e por sua disciplina, sempre tive um fascínio único e singular. Com meus infantis olhos de anos atrás, combinados à dificuldade e aventura de quem vai conhecendo o mundo,  ver o verde, branco e grená era – e ainda é – experimentar as primeiras sensações do que seria paz, esperança e vigor. Palavras que são muito além do que verbetes de um dicionário, mas valores humanos que por você, meu Fluminense, soube com maestria seu poético significado e os carrego para minha vida, junto ao seu pavilhão.

Cresci. Chorei tantas vezes como uma criança ao vê-lo em campo e, na maioria absoluta delas, por épicas  vitórias. Me comovi nas derrotas e delas busquei fazer sempre alicerce, junto ao meu inquebrantável sentimento, para as vitórias. Ser Fluminense, já diria Artur da Távola, é, afinal, vencer-se primeiro para ser vitorioso depois.

Me emociono em profunda comoção a cada vez em que avisto a esquina entre Álvaro Chaves e Pinheiro Machado. Respiro história ao entrar por seu portão e contemplo sem pressa a paisagem das Laranjeiras, lugar que parece te abraçar sem ser personificado – ainda que, para mim, Fluminense, seu escudo pareça ter um largo sorriso.

Carregando um imperecível estandarte de paixão, sigo suas cores sem hesitar e sei que assim até a morte será. Ah, meu Tricolor – único, diga-se de passagem – talvez não seja agradável falar sobre morte em um dia como hoje, mas para os efêmeros como eu este é talvez o tombo definitivo. Preocupação que foge a você. Tu és atemporal, eterno e transcendental em grandeza às limitações humanas.

Pessoas entram e saem. Ciclos se abrem e fecham nas vidas de cada um que veste sua camisa e até mesmo dentro de você. Times, técnicos, campeonatos, derrotas e até mesmo as vitórias passarão. Mas você é a história. Enquanto tudo passa, Fluminense, você não passará jamais.

Obrigado por ser parte indissociável de minha existência, Fluminense. Você, nas piores fases da minha vida, me fez sorrir junto com seu escudo e eu a todo dia defendo e defenderei sua camisa e as três cores que traduzem tradição em qualquer lugar deste plano ou de outro, onde quem sabe encontrarei Nelson, Ézio, Castilho, Assis, Washington e tantos outros guerreiros imortais devidamente sentados ao redor de João de Deus.

Você é a própria história e eu repito isto com todas as licenças poéticas, pois escrevê-la é seu ofício diário. É sua natureza intrínseca. Fluminense: clube cuja infinitude vem de sua própria etimologia. Fluminense, do latim flumen. Fluminense, de rio, daquilo que flui. E se o sentido deste fluxo ainda não estiver claro, eu vos pergunto finalmente: de um clube definido pela mais bela combinação das cores, de um grená, verde e branco tradutores do amor, vigor, esperança, fidalguia e paz, o que esperar além da própria eternidade?

Os tricolores, como em todos os dias, hoje te abraçam. O Cristo, redentor aos céus do Rio, te abraça ininterruptamente. Afinal, você bem sabe aquilo que está ao redor dele, não é? Sim, isso mesmo. É pó-de-arroz.

Eu simplesmente te amo.

Parabéns, Fluminense. 113 anos de história.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

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