Eu tô voltando pra casa! (por Rafael Rigaud)

MARACA 2013

Amigos, escolhi esse trecho da música “Casa” – do tricolor Lulu Santos – como título de minha coluna porque nesta quarta-feira, 10 de julho de 2013, o Fluminense assinou o contrato que o permitirá mandar jogos no Maracanã por 35 anos. Nas palavras do presidente tricolor Peter Siemsen, o acerto (em que o tricolor, entre outras coisas, tem direito a renda de pouco menos de 60% dos assentos e como contrapartida não pagará gastos fixos a cada vez que utilizar o estádio) é vantajoso pro clube a partir do momento em que este, ao construir um estádio num novo endereço ou ao reformular Laranjeiras, não teria como disponibilizar aos seus torcedores a mesma quantidade de ingressos por uma questão de espaço físico (algum bairro na cidade comportaria um estádio no porte do Maracanã ou que oferecesse quase 45 mil lugares cativos pros sócio-torcedores do Flu?) e de custos (com o m² da cidade nas alturas,daria pra construir algo e não perder um percentual desse estádio para a construtora como contrapartida?).

Pondo desse jeito, nosso presidente parece querer dizer que seria inevitável não ter um percentual da renda do estádio sendo direcionado para outrem que não o Fluminense e que, em questão de logística, nenhum estádio supera o Maracanã, nem mesmo Laranjeiras numa eventual remodelação (que daria ao clube 25mil lugares, menos que os assentos cativos acordados nesse contrato), uma vez que sua sede está num bairro residencial de ruas antigas e estreitas e com limitação de espaço (o Flu está encurralado entre o Palácio Guanabara  – faz muro com o gov.do Estado – e tendo perdido espaço pra duplicação da Rua Pinheiro Machado nos anos 1960,não tem pra onde expandir seu estádio).

Muita coisa não me ficou clara, mas acho que faltou ambição ao não querer negociar um percentual (ainda que menor) em setores que têm valor agregado alto (camarotes, áreas vip)e que são lucrativos graças aos torcedores dos clubes (estacionamentos e restaurantes), ligados diretamente ao jogo em si (já que nenhum torcedor vai ao estádio pra ver o The Police ou Holiday on Ice, vai pra ver SEU TIME).

Temo perceber que o Flu, ao ser o primeiro a assinar com esse concessionário, foi o mais afoito e o que menos negociou, sendo, no fim das contas,o que menos ardiloso foi para resolver questões relativas às suas demandas. Os quatro grandes deviam, no meu entender, ter se agrupado e negociado em bloco com o consórcio, Inter e Milan são super rivais, dividem A CIDADE, O ESTÁDIO e nem isso os impediu de gerir em conjunto o estádio de Milão (que pra um chama Giuseppe Meaza e pro outro é San Siro), e é bom pros dois que seja assim.

Pode ser sido pressa, clubismo, falta de articulação política, sei lá…o que sei é que é bom estar de volta ao Maracanã,não nego,mas ao mesmo tempo,o MODO em que estamos voltando ainda me deixa em dúvida, amigos. Confesso que gostaria de ver o Flu fazendo como o Santos, com o futebol retornando um dia às Laranjeiras, mesmo que em jogos de menor expectativa de público e o Maracanã em momento de grande expectativa de público, pensava eu que dessa forma, teríamos tudo a nosso favor na nossa casa (estacionamento, lojas, nosso museu, nosso campo com a torcida colada ao gramado) e muita coisa a favor no Maracanã (casa cheia ou quase isso,venda de produtos nossos,participação em lucros dessas vendas e de estacionamento etc).

As consequências dessa resolução de hoje ainda não estão claras pra mim, amigos, mas estou certo que o tempo há de desfazer as questões que estão sendo levantadas por mim e pela torcida tricolor em toda terra…

Rafael Rigaud

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

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