O elo perdido do Fluminense em campo (por Crys Bruno)

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Oi, pessoal.

Após a doída derrota para o Cruzeiro, em que ouvimos as desculpas e explicações do presidente Peter, fiz um exercício de memória e revisitei as histórias das nossas últimas partidas.

Convido ao tricolor que lê o PANORAMA para me acompanhar e me dizer se a conclusão da diretoria sobre o time está completamento fora do que vimos, mostrando um pequeno resumo desses últimos jogos para vocês lembrarem como eu.

Minha conclusão me fez chorar.

Estamos entregues à um departamento de futebol deplorável, senão ridículo, como ridículo foi e tem sido Peter Siemsen na gestão do time profissional.

Sim, é mera conclusão de uma comum, consumidora e apaixonada torcedora do Fluminense, sem a bengala dos programas de computador, bem como a matemática da maioria que se autointitula profissional e especialista hoje em dia, precisa para entender o fenômeno simples e tão conhecido por nós: o que se viu e aconteceu numa partida de futebol.

Descrevo as mesmas palavras da entrevista do presidente Peter após a goleada vergonhosa sofrida para o Cruzeiro:

“- A gente tem perdido o controle do jogo quando a gente tem aberto mão dos três volantes ou aberto mão de atacante que marca a saída de bola. Então, eu acho que a gente tem que pensar muito agora nesse formato de jogo que está dando certo com três volantes. Com três volantes no time a estatística tem sido extremamente positiva se a gente considerar só um tempo que joga com três volantes. Se a gente considerar que nosso ataque é muito veloz, a gente tem condições sim de fazer jogos fortes, jogos em que o Fluminense seja mais seguro em campo, em que a gente possa produzir mais em termos de resultado.”

Agora, vamos aos jogos, iniciando, claro, com nossa última vitória ocorrida no dia primeiro de outubro, em Edson Passos:

FLUMINENSE 3 X 1 SPORT-PE

O Flu entrou com os três volantes (Pierre, Cícero e Douglas) e sofreu pressão do time pernambucano no primeiro tempo, produzindo apenas duas chances de gol. Final do primeiro tempo? Sport 1 a 0.

Segundo tempo, Levir saca um dos volantes (Douglas) e coloca Richarlisson em campo, aumentando o poder ofensivo do time. Resultado final? Virada do Flu por 3 a 1

SANTOS 2 X 1 FLUMINENSE

Na partida seguinte, na Vila Belmiro, Levir voltou a escalar os três volantes. O adversário precisou de 48 minutos para abrir o placar, tempo em que o ameaçamos apenas duas vezes. Outro gol sofrido com os três volantes em campo.

Perdendo de 1 a 0, sacou-se um volante (Pierre) e entrou outro atacante (Richarlison). Adivinhem? Ganhamos volume de jogo e empatamos.

Depois sofremos um gol de escanteio (como contra o Sport quando tínhamos os três volantes).

Faltando cinco minutos, Levir pôs em campo Henrique Dourado e sacando Marcos Jr.

Não preciso dizer porque não se conseguiu empatar novamente. Essa até o programa de estatística, importante e funcional, claro, mas até um ponto, também acertaria.

FLUMINENSE 1 X 2 FLAMENGO

Nessa oportunidade, o time voltou a ser escalado com um quarteto ofensivo, sem os três volantes. Tomamos um gol aos 11 minutos de escanteio. Como tomamos mesmo com três volantes do Sport-PE e Santos.

Para a comissão técnica, era “natural” aquela seqüência de sofrer gols em escanteio.
O que se chamou de “controle de jogo”, o Fluminense teve na primeira etapa com maior posse de bola, o que evita que o adversário nos ataque. Empatamos no segundo tempo, mas uma falha grotesca do lateral Wellington Silva, colocou o Flamengo na frente do placar. Até então, em nada se mostrou que a presença ou ausência dos três volantes fizeram diferença.

O fim do jogo já sabemos: conseguimos empatar no final, mas o Flamengo junto com a TV e amparado pela polícia, reverteu a decisão do árbitro.

FLUMINENSE 1 X 2 SÃO PAULO.

Inflamados pela interferência da TV em decisão do árbitro, algo proibido, ilegal, a torcida invadiu o Giulite Coutinho e Levir manteve o quarteto ofensivo.

Muito fechado, o adversário exigia mais criatividade e velocidade do Flu no seu meio-campo. Mas Pierre e Cícero não dariam isso.

Dos atacantes velozes, nem Marcos Jr nem Richarlisson são dribladores: usam mais a explosão, o que contra uma retranca, sem espaço, não dava.

A armação caiu sobre Scarpa e Wellington. Aos 25 minutos, ao perder Marcos Jr, contundido, Levir optou por Marquinho. O Fluminense abria mão do quarteto ofensivo e de um jogador porque Marquinho não é volante nem meia, nem defensivo nem ofensivo, nem lateral nem ponta.

Mas contamos, então, com uma jogada individual do Wellington, que por ter o drible frontal, fez bonita jogada, sendo derrubado na área. Penalti que ele mesmo converteu. Placar de 1 a 0.

Um meio campo de Pierre, Cícero e Marquinho é lento, sem criatividade, sem passe longo nem rapidez para o contra-ataque. Desesperado com o risco do rebaixamento, o São Paulo se atirou ao ataque, colocando em campo jogadores mais ofensivos.

O meio-campo do Fluminense foi engolido e sofremos a virada. Mais uma partida em que vejo a perda do poder de ataque do quarteto ofensivo nos prejudicar. Com Pierre, Cícero e Marquinho (ou Douglas ou Edson) não faria diferença pelas características: nenhum camisa 10, armador, que segure a bola, que cadencie, como tivemos o Deco, o Djair, enfim.

CORITIBA 1 X 1 FLUMINENSE

O Tricolor escolheu entrar novamente com os três volantes na capital paranaense. Lá estavam Pierre, Cícero e Douglas de titulares. Em nenhum momento dominamos a partida com eles. Nem quando o adversário ficou com menos um.

E nem eles, os amados três volantes do presidente Peter e seu staff de analistas de futebol, impediram que o Coritiba com um jogador a menos empatasse o jogo. Aliás, devo consertar: Levir voltou com Marquinho no lugar de Douglas. E tirou do time o Wellington, o jogador do contra-ataque, para colocar Marcos Jr, isso antes de tomar o ridículo empate.

FLUMINENSE 2 X 2 VITÓRIA

Embalado pelo retorno ao Maracanã e com os três volantes, o Fluminense entrou em campo buscando voltar a vencer. Sem controlar o jogo, sofreu 1 a 0 (COM OS TRÊS VOLANTES DE NOVO).

Na empolgação, num pênalti mal marcado e no abafa, além de contar com uma partida individual boa do Cícero, algo raro de se ver do insubstituível jogador, conseguiu a virada ainda no primeiro tempo.

Na etapa complementar, adivinhe? O adversário colocou jogadores mais ofensivos (como o São Paulo fez) e engoliu nosso meio campo com os três volantes que Peter quer e seu “analista de sistema” o relatou que é quando temos uma atuação extremamente positiva.

Além deles, adivinhe quem? Ele mesmo: Marquinho. A contusão do lateral Giovanni fez Levir pôr em campo mais uma vez o jogador que não é ofensivo, defensivo, meia, volante, lateral nem ponta. Para piorar, ao invés de usá-lo como lateral, posição que Marquinho conhece, deslocou o Douglas para lá. O Vitória não conseguiu virar! Ufa! Menos mal.

CRUZEIRO 4 X 2 FLUMINENSE

Por fim, mas ainda mais confirmativo, o Fluminense foi para cima do Cruzeiro com um time equilibrado em sua escalação: dois volantes e dois meias, com a entrada surpreendente de Claudio Aquino.

O primeiro tempo foi muito bom. Saímos na frente, agredimos o adversário, com marcação alta, fizemos nosso gol. Sem os três volantes.

No segundo tempo, Aquino cansou e Levir escolheu Danilinho (havia ele desistido de Marquinho?). Perdemos o meio-campo, mas não pela ausência dos três volantes, e sim pela de quem entrou na partida.

Depois, mais uma vez, ele tirou o melhor jogador do elenco ao lado de Scarpa: Wellington.

Onde e quando alguma vez a presença dos três volantes deram ao time controle de jogo e atuação “forte”? Eu queria saber.

Ah, eu também queria saber: onde e quando a presença dos três volantes nos garantiram resultados positivos ou evitaram resultados negativos?

É claro que a culpa não é do programa de computador. A tecnologia e a ciência exata são novos braços para melhorar o preparo do atleta, um auxiliar também ao staff e comissão técnica para organizar o posicionamento. Mas atenção: são auxiliares. O que temos nessa gestão Peter, há anos, é um departamento de futebol com pessoas que assistem os jogos somente nos números sem leitura de campo.

O deboche com minha paixão, a incapacidade, a incompetência no futebol do Fluminense há anos, piorada nessa gestão atual, é de chorar. Por isso,deixo aqui alguns rápidos pedidos:

– Presidente Peter, eu esperei cinco anos para ouví-lo falar de futebol, aquele que se joga dentro do campo. Quando, finalmente, o senhor falou, entendi porque os últimos três anos, sem mais os talentos individuais e caros da Unimed, passamos a ver um Fluminense travado, apático, horroroso, com um futebol abaixo ainda do nível mediano de 99% dos adversários, hoje em dia. O senhor foi um dos piores presidentes que tivemos para o futebol, um total perdido no controle sobre o jogo, o futebol. Lamentável!

– Torcida Tricolor, hoje em dia, chego a sentir um tremor, um frio na espinha toda hora que vejo os candidatos à presidência falando em profissionalizar o departamento de futebol. A tecnologia deve ser um auxílio. Precisamos, sei lá, de um conselho de ex-jogadores no clube. Não podemos trocar a ausência do preparo científico com uma análise limitada e robótica do nosso time e jogadores, gente! Preocupada, quase em pânico.

– Marcão: não caia na invenção de que os três volantes são nossa base de sustentação e garantidores de vitórias. Escale um time equilibrado: dois volantes, dois meias ofensivos. Por favor!

– Por fim e mesmo menos importante, um parágrafo para o nosso ex-treinador:

Sr. Levir Culpi, mesmo torcedora de um clube que pior contrata técnico no mundo e “p*** da cara” em ver o Fluminense mais uma vez pagar salários exorbitantes a profissionais que, em quatro décadas de carreira, não conquistaram sequer nem um terço dos campeonatos que disputaram – e ainda assim se julgam uma sumidade – um sofredor nesse inferno de lugar que é o futebol brasileiro e lhe deu tudo, venho por meio desta lhe desejar todo sucesso, paz e saúde, especialmente para sua nova carreira de contador de histórias. Saudações.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @CrysBrunoFlu

Imagem: cib

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