Ecce Homo (por Marcus Vinicius Caldeira)

Quando Pôncio Pilatos apresentou Jesus Cristo aos judeus para que estes o julgassem. ele proferiu a frase em Latim: “Ecce Homo”. A frase significa, em português, “Eis o homem”!

E depois, sabemos o fim da história.

Não por acaso, “Ecce Homo” também foi o título de espetacular livro do espetacular filósofo Friedrich Nietzschie, meio autobiográfico e que fazia um balanço de sua vida aos 44 anos, mas que também sintetizava sua obra – e seus conflitos – baseada em crítica ao cristianismo e às religiões em geral pregando que um novo homem deveria surgir, mais potente e livre das correntes do cristianismo.

Tirando a obra de Nietzschie de lado, acho que a expressão “Ecce Homo”, ou “Eis o homem”, em português é a que melhor sintetiza Abel Braga em relação ao Fluminense, embora “Eis o homem” de Poncio Pilatos tenha um significado um pouco diferente, pois apresentou Cristo para ser julgado e condenado. E os judeus o fizeram.

A verdade é que diante da dor e sofrimento pessoal, a vida apresenta Abel aos tricolores e brada: “Ecce Homo”, para ser amado e idolatrado por nós, tricolores. Abel ficou em nossos corações, de vez!

É inimaginável a dor que um pai ou mãe deve sentir ao sepultar seu filho. Não é a ordem natural da vida. Quando a morte é de um filho jovem, cheio de vida, com toda uma vida pela frente, e por um acidente, a dor se potencializa. Nenhum pai ou mãe merece enterrar o filho. Se deus existe e rege todas as coisas, deveria rever essa condição. Abel Braga, muito menos, merecia isso.

Não obstante essa dor e essa perda terrível, Abel Braga não desistiu da vida. Não desistiu do seu trabalho. Não desistiu do Flu. Perdeu o filho no sábado. Na segunda já estava em campo para treinar o time. Uma fortaleza. Para nós, tricolores, um exemplo a ser seguido. Tem tricolor que não vai ao estádio ajudar a empurrar o time para vitória pelo motivo mais banal. Abel perdeu o filho e já está disposto a seguir ajudando o Flu.

Devemos louvar também a atitude irrepreensível do presidente do Fluminense Pedro Abad, que esteve ao lado dele desde o primeiro minuto e que cuidou de toda parte burocrática junto com o médico do Fluminense, o grande doutor Michael Simoni, e disponibilizou toda a infra do clube para que Abel se despedisse da forma mais confortável se é que isso é possível nessa hora. O Fluminense é um gigante.

Sou pai e não consigo me imaginar enterrando o meu filho. Que eu tenha a sorte de não passar por isso (a vida é cheia desses infortúnios). Não consigo imaginar a dor de Abel Braga nesse momento. Entendo que a decisão de continuar trabalhando foi a mais correta. A dor é imensa nessa hora, mas, a vida há de seguir e o amor dos seus, a família, o trabalho e o tempo são os melhores remédios para atenuar a dor.

Abel, se possível fosse, queria te dar um abraço. Não é possível. Então, se sinta abraçado com a minha presença no estádio sábado. É o mínimo que nós torcedores do Fluminense podemos fazer por ti. Apesar de admirador de Nietzschie, acredito em vida após a morte (embora não acredite em um deus onipresente, onipotente e criador de tudo, porque se ele existe, as vezes é um gozador) e acredito que todos nós nos encontraremos um dia em outro plano. Portanto, creia: um dia você e seu filho se reencontrarão.

Abel, a sua dor é a nossa dor!

Vamos em frente!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: pr

 

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