É o destino… (por Zeh Augusto Calatano)

FLU ONTEM

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“Tem horas em que vocês parecem mais anti-flamengo do que Vasco”. Tive de ouvir essa crítica hoje pela enésima vez. E, reconheço, por vezes ela acaba tendo um fundo de razão. Quando as coisas não vão bem, é sempre mais fácil rir da desgraça alheia do que comemorar seus próprios feitos. Grande parte dos cantos das torcidas são exemplos disso. Ao invés de empurrarem seu time, valorizarem sua história e ídolos, eles tripudiam do adversário, de suas mães, de quem caiu na geral.

Horas depois, sentado num boteco por falta de ingresso (com o estádio cheio de lugares disponíveis…), vi o Vasco entrar em campo com seu craque de volta. Estava muito otimista por sua volta e por todos os acontecimentos da semana, que, achava eu, seriam motivação para um time mais fraco, desacreditado e com reforços ainda por estrear. Mas eis que entra o Fluminense em campo e, na arquibancada, em vez de celebrar seus 111 anos, suas conquistas, heróis etc., a torcida exibe um mosaico gigante com o primeiro trecho de mais um dos cantos citados antes.

Ao meu lado, no bar, uma mesa de dois tricolores e um flamenguista não compreenderam do que se tratava. A frase era “É o destino…”. Trechinho de “É o destino, é o destino, o tricolor XXXXX X XX do vascaíno”. Quando li o mosaico, tive a certeza de que íamos ganhar. Só um time poderia ser motivado por aquela frase: o Vasco. E o time de atuação patética da semana passada se comportou exemplarmente.

Não é prerrogativa de torcidas nem dos brasileiros.

Cerca de um ano atrás, a Nike criou uma camisa, para ser vendida em Nova York, sacaneando a derrota de Boston no Baseball. A camisa estampava “Boston Massacre”. Semanas depois, teve de tirar tudo às pressas das lojas, depois do atentado em Boston. Não sei se no estádio, os tricolores sentiram isso. Muitas vezes, você sente que a torcida está dando um tiro no pé. E aí, não é a organizada, não é o torcedor solitário… São todos. É o momento.

Quantas vezes eu vi a torcida do Vasco fazer isso? Incontáveis.

Aposto que vários de meus amigos tricolores, Andel, Rods, Tiba, entre outros, concordam comigo nesse ponto. Não é uma crítica à torcida do Flu, mas um exemplo de como, às vezes, somos mais torcedores contra do que a favor.

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Apesar do brilhante comportamento do time de Vasco, a expulsão prematura de Fred liquidou de vez o Fluminense.

Um jogador de seleção brasileira não pode se dar ao luxo de ter uma atitude destemperada da forma que teve.

O lance anterior, em que o beque do Vasco atingiu o rosto do Fred e que foi o estopim do revide, pareceu casual. A cotovelada foi grosseira. Pior que afundar o time no clássico é a provável suspensão que virá em seguida.

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O que será que passa pela cabeça do senhor Paulo Autuori neste momento?

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Eu sei que é melhor perder o amigo do que perder a piada: tomar um gol aos 47 minutos, de (mais um) ex-jogador do time, é tudo de bom…

 Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: PRA

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2 Comments

  1. Andel: Zeh, não faria em nenhum momento o texto feito no mosaico (que, aliás, perto das ameaças de morte que vascaínos comunicaram durante a semana, foi até pouco). Agora, alguém olhar pra uma bandeirinha e virar talento é muito pra mim. O Flu perdeu dez gols, o Vasco marcou primeiro, acertou a cereja na volta do vestiário e, com ou sem mosaico, isso poderia ter acontecido em qualquer situação. Braxxx.

  2. Não vejo nenhum problema no mosaico! A gozação, a rivalidade sadia é necessária no futebol. O que não pode é a organizada do vasco, ameaçar de morte torcedores adversários.

    E pra mim, em nenhum momento ajudou a construir a vitória do Vasco. Muitos dos jogadores nem viram ou nem sabiam do que se tratava.

    A vitória do ruim time do vasco foi construída nos pés do Edinho, jogador do Fluminense! E quando Fred, dá uma cotovelada como forma de revide.

    O resto é blá-blá-blá de vascaíno e mimimi de tricoleba!

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