E aí, Dry World? (por Rodo)

rodo red

Várzea até quando?

Confesso que ando sem paciência para debater os mesmos temas de sempre sobre o Fluminense. A equipe em si não me empolga, por isso evito tocar no assunto, até porque outros colunistas o fazem perfeitamente bem. Prefiro tocar em outros assuntos.

Esta semana vou abordar um tema que me incomoda e não é de hoje: a relação entre o Fluminense e seu fornecedor esportivo. A adidas nunca foi um primor de distribuição, sempre reclamei que nas lojas do fornecedor pelo Brasil faltava material do Fluminense. Coisa que não acontecia com o Palmeiras, por exemplo, com diversos produtos à venda no Shopping Nova América, em uma loja outlet na zona norte do Rio de Janeiro. Mudamos o fornecedor, e esperava mudanças. Ainda espero, e até tenho paciência, pois é uma empresa nova, que está se estabelecendo no Brasil, mas outros clubes assinaram depois do Fluminense e já tem lojas, vendas online por aí e nas Laranjeiras nada.

Os torcedores pediram a mudança do escudo no novo uniforme tricolor, pois ele não estaria na direção do peito. Achei exagero, já que no dia da apresentação dos uniformes, o apoiador Gustavo Scarpa parecia usar um modelo com número maior que o dele. Enfim, efetuaram a mudança, mas não alinharam o símbolo da Dry World. Antes o escudo ficava no meio de uma faixa grená, assim como o símbolo da fornecedora, agora o escudo está acima de uma listra branca, enquanto o “D” segue no mesmo local, no meio da faixa grená no lado oposto. O torcedor que tiver TOC terá problemas para vestir o novo manto.

Pode parecer um detalhe apenas, mas o Fluminense tem entrado em campo com versões diferentes no mesmo jogo: alguns jogadores atuam com o escudo sobre a faixa grená e outros sobre a faixa branca. A falta de padrão, comum no início do século passado, não pode ocorrer em um gigante como o Fluminense nos dias atuais. Não temos terceiro uniforme, não existe um, teremos? Sim, mas não temos, não poderia ser assim. E a camisa fluorescente do goleiro serve para chamar a atenção do atacante adversário, vira ponto de referência. Não aprenderam nada com o Castilho?

A Dry World entrou no mercado recentemente, mas sem nenhuma loja online? De quanto tempo a empresa precisa para montar uma? Eu mesmo posso montar em 24h um serviço bem básico, contudo, funcional. Aqueles que moram fora do Rio de Janeiro não poderão comprar o novo uniforme? E o próprio Fluminense, quando voltará a ter uma loja oficial e vendas online?

É uma verdadeira vergonha que dentro do clube, a venda esteja sendo feita em uma gôndola que se assemelha a um almoxarifado, que, para piorar, não tem disponibilidade diária. Eu estive no Rio e passei no clube em um domingo recente. O Bar dos Guerreiros, que muda de nome e de gestão a cada seis meses, estava aberto. O bar do seu Fidélis, que inacreditavelmente não aceita cartões de débito e crédito, também estava, assim como a sala de troféus. Porque não havia ninguém vendendo o novo uniforme?

Eu moro em São Paulo, vou ao clube e não consigo comprar a nova camisa. Pela internet isso também é impossível. É sério mesmo que o torcedor tem que passar por isso? Qual a vantagem que tenho em ser sócio? Programa de descontos? Não, obrigado, sou sócio do Fluminense pelo Fluminense e espero algum benefício mínimo, como ao menos comprar e pagar caro pela nova camisa. Sempre faltará tudo ao Fluminense? Sempre terei a impressão de estar em um clube de bairro (muito mal tratado por sinal), em um clube de várzea?

O Gustavo Scarpa se machucou em uma partida recente, teve que usar uma touca de natação para estancar o sangramento, e pasmem, a touca tinha um escudo gigante da adidas. É sério isso? Não existia nenhuma outra touca no mercado sem a logomarca da antiga patrocinadora? E os jogadores da base, seguirão usando material da adidas?

Estamos falando do Fluminense, não do Madureira, com todo respeito ao clube de Conselheiro Galvão, mas não dá. Não vejo nenhum clube dito “grande” na mesma situação do Fluminense e isso precisa mudar. Não estou acusando A ou B, e sei de todas desculpas usadas para o Fluminense como clube parecer uma várzea, mas já passou da hora de resolver o mínimo.

Só receber a mais da Dry World não basta, só embolsar as luvas (e comissão) na troca de contrato também não. É preciso respeito ao torcedor, que é quem, de fato, ainda mantem o Fluminense grande.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @rodoinside

Imagem: rd brasil

8 Comments

  1. Muito bom,
    + não seria o caso de averiguar se ocorrem problemas similares nos outros patrocinados? Se não ocorrerem, acho q não dá para empurrar na DW sem olhar para o umbigo primeiro. Do q sabemos: a besteira de entubar uma alteração numa camisa aprovada por conselho e, pouco depois, chegam 50.000 camisas da ex para rolo em prol do CT que a própria DW disse antes que apoiaria, bota areia na relação, né? Parece q MB queria promover eventos em escolas públicas para doação (d verdade) delas… ST

  2. Rodrigo, bom dia.
    Faço-me as mesmas as perguntas, principalmente quando assisto a partidas de futebol, basquete e tênis, nas quais a marca adidas, que é linda para meu gosto estético, sem entrar no mérito de ser hoje fabricada na Coreia, no Alasca, em Timbuktu, raramente no Brasil – onde suspeito que não mais se fabrique. Ontem assisti ao jogo do Warriors, e em reportagem de Bruno Cortez, no intervalo da partida, fiquei com inveja branca da estrutura do negócio, onde uma camiseta custa…

  3. Também gostaria de comprar a nova camisa, mesmo pagando caro!

    Ser TRICOLOR está difícil desde os anos 90.

    Entra e sai diretoria, continua a mesma lástima!

    Abraços RODS.

  4. a bagatela de R$450,00 (!) e vende à beça. Depois do estardalhaço em pleno salão nobre e trocas de juras de amor o mínimo que se poderia ter era profissionalismo e paixão. Tudo o que você ponderou é fato. Hoje não mais uso camisetas patrocinadas. Abs, Waldir Barbosa Jr.

  5. Mas as contas (o que é obrigação e não mérito) estão em dia, então que se dane o respeito de fornecedores e da “mídia imparcial”.

    ST

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