Diniz, Ganso e a enxaqueca (por Marcelo Savioli)

Amigos, amigas, promessa é dívida e a ocasião não poderia ser mais propícia. Antes, porém, há um tema que, vez ou outra, volta ao noticiário e que deve ser motivo de reflexão.

A verdade precisa ser dita sempre. A gestão Abad teve início no final de 2016 e logo todos já sabiam da situação asfixiante provocada pela gigantesca dívida de curto prazo do clube, que é consequência de uma gestão financeira criminosa de Peter Siemsen em seu segundo mandato.

Diante de tal situação, o que se esperava do Fluminense é que buscasse um modo de financiar essa dívida, evitando enfrentar situações como a paralisação de jogadores na última terça-feira, como protesto em decorrência do atraso de salários.

Não tenho qualquer crítica à política financeira de Abad desde o primeiro minuto de seu governo. Inclusive, incentivei e apoiei a esticada de corda que o clube deu em 2017, atrasando a venda do Richarlison, mesmo sabendo que teria que gerar uma fortuna em vendas.

Como esse não é o tema de hoje, o que quero dizer é, mais uma vez, que tudo que acontece, dos atrasos salariais às vendas de atletas por preços duvidosos, é consequência da falta de iniciativa da atual gestão para atacar a origem do problema. Ao contrário, preferem passar o ano todo apagando incêndio ou enxugando gelo. Isso vai nos custar, mais uma vez, chegar ao meio do ano com elenco para disputar título brasileiro e acabar a temporada chupando dedo, porque dois ou três de nossos melhores jogadores terão ido embora na janela do meio do ano.

Nesse aspecto, Abad tem sido um legítimo sucessor de Peter, dando cumprimento ao projeto de transformar o Fluminense numa feira de atletas novos e usados.

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Mas eu quero mesmo é falar da questão envolvendo o esquema tático e a confusão em que Diniz se meteu. No treino de ontem, o Fluminense formou com os seguintes jogadores no time titular: Rodolfo, Ezequiel, Digão, Matheus Ferraz e Marlon; Caio Henrique, Daniel e Dodi; Ganso, Everaldo e Yony Gonzalez.

As amigas e os amigos devem ter sentido a falta do Luciano. Luciano está suspenso, assim como Airton, que foi substituído por Caio Henrique. Caio Henrique parece ter predileção por jogar entrando no meio dos zagueiros e construindo a saída de bola. Nada de anormal, portanto. Seis por meia dúzia. No caso da ausência de Bruno Silva, este sentiu um desconforto muscular, ou algo assim, e pode não enfrentar o Bangu. Entrou o Dodi, que faz a mesma função.

Aliás, vamos entender o Fluminense melhor para falar da posição do Dodi, que é a do Bruno Silva. O Fluminense se defende no 4-4-2, com Luciano e Yony Gonzalez na primeira linha, os zagueiros e os laterais na última. A curiosidade está na segunda linha. Quem faz a marcação por dentro não é Bruno Silva, mas Daniel, que atua o tempo todo próximo de Airton. Bruno Silva fecha a linha de quatro de um lado e Everaldo recua para fazer isso pelo lado esquerdo.

Quando o Fluminense ataca, essa configuração muda toda. O nosso lado direito é menos incisivo por uma razão muito simples. Nós não temos um ponteiro por aquele lado. Esse, seria o Luciano, mas o papel do Luciano é centralizar e atuar por trás de Yony e Everaldo, que afundam em cima da última linha de defesa adversária. Ele mesmo, Luciano, busca triangulações com esses dois homens. Eles jogam próximos um dos outros. Yony, às vezes, é quem cai pela direita. Nesses momentos, Everaldo e Luciano entram na área.

A questão é: qual o papel de Daniel? Daniel atua como volante. Com Airton entrando no meio dos zagueiros, fazendo quase que uma linha de três, Daniel, na transição ofensiva, atua como um verdadeiro primeiro volante. Não é o Bruno Silva que desempenha esse papel. Bruno Silva ocupa o lado direito do ataque, preenchendo o espaço que deveria ser de Luciano. É isso que vai fazer o Dodi. Fechar o lado direito na fase defensiva e atacar o mesmo lado na fase ofensiva.

A questão toda é que o Ganso entrar no lugar do Luciano não é um acidente. Eu vejo muita gente dando como certa a entrada do Ganso no lugar do Daniel. Pode até acontecer, mas seria, ao meu ver, surpreendente, pelo simples fato de que o papel natural do Ganso é aquele que é exercido pelo Luciano.

É aí que começa o problema, porque tirar o Daniel agora seria uma escolha natural, mas, para a manutenção do esquema de jogo, quem tem que sair para a entrada do Ganso é o Luciano. Mas como é que o Diniz vai tirar o Luciano, que é nosso principal construtor de jogadas ofensivas? Bom, poderia tirar o Everaldo ou o Yony e manter o Luciano no ataque. Legal, mas nós não perderíamos um tanto de profundidade ofensiva em nosso jogo sem uma dessas duas peças, que driblam, se infiltram e finalizam o tempo todo?

Uma opção seria a saída do Bruno Silva para a entrada do Ganso. Nesse caso, poderíamos ter um quarteto ofensivo, com Luciano, Yony, Everaldo e Ganso. O Luciano não faria nada muito diferente do que faz o Bruno Silva e ainda daria mais agressividade ofensiva ao nosso lado direito. A questão é saber se ele manteria o nível na transição defensiva obtido com o Bruno Silva.

Eu até acredito que esse seria o nosso caminho natural. Seria começar a pensar num 4-2-4 como matriz tática, que vira 4-4-2 na fase defensiva e 2-4-4 na ofensiva. Porém, como parece que Diniz gosta muito de atuar com um terceiro zagueiro na fase de transição ofensiva, seria um 3-3-4, que eu até gosto bastante. Airton entra no meio dos zagueiros, Daniel faz o peão no meio, com apoio dos laterais na saída de bola e os quatro homens de frente fazem o vai e vem para formar maioria na intermediária e ajudar a quebrar as linhas do adversário.

Para falar a verdade, eu até acredito que seja esse o pensamento do Diniz: fase defensiva no 4-4-2 e fase ofensiva no 3-3-4. Eu imagino que esse 3-3-4 possa se transformar num 3-4-3, que é o esquema da moda, com Ganso se aproximando de Daniel para dar força à criação. Só que tudo isso é dentro do modelo Fernando Diniz. Dos laterais para frente, o único jogador que parece ter mais ou menos posição fixa é o Everaldo. Vamos manter muita movimentação, velocidade, agressividade e posse de bola.

Ah, tem o Pedro! Que bom que ainda tem o Pedro. Tem o Marcos Paulo, o João Pedro, o Calazans, o Pablo Dyego, o Luiz Fernando, o Allan chegando. É bom que tenha muita gente. Na hora que o Pedro estiver em forma é só escolher um dos quatro da frente para sair. O único mistério é saber quem. Pode ser até o Ganso.

Então, anotem isso! Ganso não é substituto do Daniel e o Fluminense vai atacar no 3-4-3 ou 3-3-4 a partir da confirmação do Ganso como titular. O Luciano, na minha opinião, não sai. Sai o Bruno Silva ou o Daniel.

Só para ficar mais legível: Rodolfo; Gilberto, Digão, Matheus Ferraz e Mascarenhas; Airton e Daniel (Bruno Silva); Ganso, Luciano, Everaldo (Yony Gonzalez) e Pedro. Essa me parecer ser a provável formação na cabeça do Diniz.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

#credibilidade

2 Comments

  1. Vai sair o Daniel, não tenho a menor dúvida.

    Pablo Dyego não joga nada.

    Não acho que o Bruno Silva tenta futebol para ser o titular absoluto. Aliás, na minha opinião, não apresentou nada além de empenho e disciplina tática, até agora.

    Eu não tenho a menor ideia de quem deve sair quando o Pedro voltar. Talvez eu tirasse o Yoni

    ST

  2. Bruno Silva é quem dá o equilíbrio defensivo a esse time. Daniel, infelizmente, é quem esta “pedindo” para sair do time.

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