De Lula a Levir: não aguento mais! (por Crys Bruno)

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Assistindo, atônita, ao jogo Fluminense x Figueirense, recordei as histórias que cresci ouvindo do meu pai sobre o Santos de Pelé. Depois do Fluminense, a paixão do meu velho foi aquele time comandado por Lula e, claro, o camisa 10 santista “que nada tem a ver com o Edson Arantes que é um ridículo”, passou a enfatizar.

Lula assumiu o alvinegro praiano em 1954. O clube estava desde 1935, quase 20 anos, sem conquistar um título. Olha o que o treinador fez: ele veio ao Rio e contratou reservas do Vasco, outros do Fluminense e do Bonsucesso, buscando também um meio-campo lá no Taubaté: Zito. O Santos foi campeão paulista de 1955.

Para citar alguns desse “cata-cata” escolhido por Lula, que tirou o Peixe de 20 anos de fila, os irmãos Ramiro (ex-Fluminense) e Álvaro chegaram à Seleção Brasileira, atraindo os cofres do Atlético de Madrid, que levou os dois. Outro jogador que encantou a Europa foi o ítalo-brasileiro Emmanuelle Del Vecchio, que igualmente vestiu a amarelinha.

Com dinheiro em caixa, o presidente Athiê abordou seu técnico animadamente: “- Agora vamos reforçar mesmo o time!”. Lula retrucou: “- Não, não, presidente. Primeiro quero ver os jogadores que temos no clube, depois a gente pensa em reforços. Eu vi um rapazinho na Portuguesa Santista, olha, presidente, ele vai ser melhor que o Del Vecchio.” Tratava-se de Pagão.

E assim seguiu o Santos de Lula, que não à toa, ao ver o “molequinho” que Waldemar de Brito levou, não tibubeou em pô-lo no time mesmo com 16 anos. O Santos de Lula tornou-se o Santos de Pelé.

Cresci ouvindo sobre esses técnicos “da antiga”, responsáveis por revelarem jogadores que mesmo num país miserável, nos deram três títulos mundiais, encantando o mundo e os europeus, que já jogavam dessa forma robótica, física, dura.

Hoje eu tenho que ver “os professor”, que ganham um salário estratosférico, tiram uma onda de gênios da galáxia, destruindo nosso futebol brasileiro, com a anuência da imprensa esportiva, dirigentes de clubes e empresários de jogadores, especialmente dos medíocres, mais fáceis de revelar e com mercado milionário para lhes dar fortuna.

Estou enjoada e enojada já de Levir, Abel, Muricy, Vanderlei, Parreira (perdão aos tricolores pragmáticos!), Felipão, Autuori, Mano Menezes e toda essa geração de técnicos ridículos mas cheios de pompas e marra. É o mercado, dizem. Não! É a incapacidade se disfarçando.

Vivi o que fez Cilinho no São Paulo, em 1985. Vi Telê revelar moleques maravilhosos também. Hoje em dia, talvez, só o Fernando Diniz se comporte assim, além da ousadia, da ofensividade, da posse de bola, seu time, com jogadores “de rua”, é incapaz de dar um chutão. Para os chatos dos números terem uma ideia, o Oeste Audax fica, em média, mais de 19 minutos com a bola.

Fernando Diniz é heróico porque faz isso mesmo sem mídia e sem clube grande (aliás, você, tricolor, já parou para ver como o Danielzinho está jogando bem? Deixo a dica). Aliás, ele seria meu técnico para o próximo triênio.

Fico imaginando o trabalho do Diniz com uma garotada de Xerém nas costas! Quantos garotos ele revelaria! Quanto ele nos livraria de Giovannis, Rhayner, Dudus, Lucas Gomes, Osvaldos, Henrique Dourados e afins. Não virá, claro: imagine o quanto de comissão de empresário dirigentes deixariam de receber revelando prata da casa que dá mais “prata” ao clube.

Diferente dos mais vitoriosos treinadores da história do clássico e melhor futebol brasileiro, esses caros técnicos da atual geração só querem  “reforços”. Levir não fugiu à regra. Os dirigentes do Fluminense, a mando do presidente Peter, correram, às pressas, e contrataram 999 “reforços”. Curiosamente só dois ganharam a titularidade: um lateral e um centroavante. Posições complementares, além de Wellington, que se escalou, senão estaria no rodízio costumeiro com Osvaldo, Maranhão, Samuel, “Zezinho”…

Estou enjoada e enojada. E Levir, de quem muito esperei por ter visto montar times com encaixe correto e ofensivo, sentou-se no conforto da mentalidade medíocre de uma diretoria que não cobra boa atuação, postura e atitude de time grande, contentando-se em não ser rebaixado.

Mentalidade de Peter Siemsen, aquele que cuspiu e jogou fora a chance que nenhum outro teve de se tornar um dos melhores presidentes da nossa história, somente porque não entende nem gosta “dessa chatice” de futebol.

Estou enjoada e enojada. E cada vez mais distante quando nem quando eu estava, fisicamente, me senti. Para piorar, dos candidatos à presidência do Fluminense que vejo, nenhum se mostrou nem falou do que mais queria ouvir e saber, que o futebol é prioridade, que o time em sua gestão será obrigado a jogar com atitude, intensidade, ofensividade, sem mesmices. Não quero reforços. Quero grandeza. Quero técnico. Quero futebol.

Hoje teremos um jogo contra o Botafogo, exemplo de time com dificuldade grave, mas que não abdica de jogar futebol; mesmo inferior tecnicamente, atua com intensidade, entrega, sem se esquivar, ao contrário do Fluminense.

Comandado por Camilo, um camisa 10 rejeitado pela maioria dos técnicos brasileiros como Levir (deve ser por não marcar ou ser lento demais!), provavelmente com uma folha salarial nem metade da do Peter, mas com mais dignidade na proposta de jogo. Triste em meu canto, falo em silêncio, eles devem vencer hoje.

Estou enjoada, enojada e cansada. Perdoe-me a ausência de bom ânimo, torcida tricolor.

:: Toques rápidos::

– Pierre é primeiro volante e ponto. Douglas, também. Douglas, Edson e Pierre disputam uma vaga. Escolher Pierre é opção. Para mim, a pior.

– Cícero e Marquinho são segundos volantes – os que dão a saída de bola e vão para o apoio. São jogadores que sabem jogar, inteligentes, de leitura e postura boas. Só que têm a mesmíssima característica, não se completando. Não são armadores, não devem ser responsáveis por fazer um time jogar. Por isso, não jogaria com eles juntos, embora os prefira a ter que vê-los ao lado de dois primeiros volantes, que só distribuem pontapés e passes de três metros para os zagueiros.

– Nada acontece se a bola não passar pelos pés dos NOSSOS ÚNICOS JOGADORES: Gustavo Scarpa e Welington. Eles que, infelizmente, têm seu couro arracando por técnicos como Levir que os colocam fixos na ponta e tendo que recuar na lateral para marcar os “geniais” e “cracaços” laterais defensivos do adversário, isso mesmo jogando com três marcadores no meio-campo. Estou cansada!

– Por fim, mas não menos importante: Cavalieri. Titularidade cativa para um goleiro é risco maior e pior que escalar Pierre e Henrique Dourado.

– E que minha impressão sobre a peleja de hoje esteja errada só para que os senhores envolvidos não estraguem meu feriado. Ou então, eu que gritarei aos quatro ventos: “Independência ou morte”!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @CrysBrunoFlu

Imagem: cb

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