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Há 25 anos

Em 11 de abril de 1991, o Jornal do Brasil noticiava a possível nova camisa do Fluminense (cuja versão final ficou conhecida como a "das bolinhas"), mais a filosofia do treinador - e ex-jogador do clube - Gílson Nunes.

Curiosamente, a ilustração da matéria é uma camisa com o escudo do Vitória.

fluminense 11 04 1991 JB

@PanoramaTri

 

Gols e palavras de Magno Alves

imagem sérgio andrade o globo magno alves

Ele já desafiou definições e bateu recordes com a camisa do Fluminense. Relebre grandes momentos de Magno Alves com a camisa tricolor.









Colaboração de Henrique Breder e Valterson Botelho

Imagem: Sergio Andrade - O Globo

@PanoramaTri

Há 11 anos, os 4 a 1 no Fla-Flu da Taça Rio

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03/04/2005 - 18h03
Fluminense goleia e é campeão da Taça Rio

Do Pelé.Net
No Rio de Janeiro

Um dos cantos mais famosos da torcida do Fluminense há anos diz: "A benção, João de Deus, nosso povo te abraça." Um dia após o falecimento do papa, o abraço foi de agradecimento e homenagem. O Fluminense goleou o Flamengo no Maracanã por 4 a 1 e conquistou a Taça Rio, equivalente ao segundo turno do Campeonato Carioca.

Os gols foram marcados por Tuta, Leandro, Alex e Preto Casagrande, todos na etapa final, e Zinho descontou, em um domingo típico de praia e futebol no Rio de Janeiro. Os termômetros marcavam 40 graus nas imediações do estádio.

Os 65 mil ingressos estavam esgotados desde sexta-feira, e o público presente foi de 74.650 pessoas, no último clássico que contou com a presença dos geraldinos. O Maracanã entrará em obras e o setor com ingressos mais baratos ganhará cadeiras.

Na 100ª edição do campeonato, o Fluminense poderá conquistar seu 30° título e manterá o domínio de conquistas, que vem desde a primeira edição. O Flamengo continuou com 28.

O time de Abel Braga completou seu nono jogo invicto. Foram oito vitórias e um empate, contra o Vasco, na semifinal. Com excelente atuação de Juan, que sofreu penalti, iniciou a jogada do segundo gol e deu passe para o terceiro, o time ficou a um gol da maior goleada da história sobre o rival (5 a 1).

O Flamengo não contava com dois dos destaques do time na competição, Júnior Baiano e Renato, que estavam suspensos. Sem vencer um clássico no campeonato, empatando os três primeiros por 2 a 2, o time de Cuca foi apenas o oitavo colocado na classificação final dos dois turnos, com 13 pontos no total.

Do outro lado, o Fluminense não tinha Felipe - que atuou em apenas três jogos na Taça Rio -, Marquinho, Tiuí e Fabiano Eller. O time das Laranjeiras ficou em terceiro na soma dos dois turnos, com 20 pontos ganhos no somatório.

Agora, a equipe enfrenta o Volta Redonda, vencedor da Taça Guanabara, dias 10 e 17, no Maracanã, para definir quem leva o Campeonato Estadual de 2005. Em caso de empate nos dois jogos ou uma vitória para cada lado com a mesma diferença de gols, o título será definido nos pênaltis.

O JOGO

O Fla-Flu começou truncado, com jogadas ríspidas de ambos os lados. O meia Diego, do Fluminense, levou cartão amarelo logo no segundo minuto, após reclamar de falta no ataque.

Aos 4min, Gabriel chegou pela direita e cruzou para Juninho, dentro da área, no primeiro ataque do Fluminense. O árbitro, porém, considerou erradamente toque de mão no momento do domínio e parou o lance, quando o jogador ficaria na cara do goleiro Diego.

Os dois times pareciam nervosos e não conseguiam organizar uma boa jogada de ataque, apesar do maior domínio da posse de bola por parte do Fluminense. O primeiro chute a gol só aconteceu aos 23min, quando Juan tocou para Gabriel em cobrança de falta. O lateral chutou da meia-lua da grande área, de canhota, e mandou por cima do gol.

Aos 27min, o Flamengo cobrou escanteio pela direita e Dimba fez falta no goleiro Kleber. Irritado, o arqueiro reclamou com o árbitro, gerou uma confusão e acabou levando amarelo, junto com o atacante.

Na seqüência, Leandro recebeu sozinho pela direita do ataque, deu leve toque encobrindo Diego, que havia saído do gol desesperado, mas colocou pelo lado, assustando a imensa torcida flamenguista presente ao Maracanã.

O Fluminense era melhor em campo, mas a equipe da Gávea quase abriu o placar quando Marcos Denner recebeu passe de Júnior pela direita, entrou na área e cruzou. A bola passou por dois do Fluminense, mas Antônio Carlos afastou na pequena área, aos 37min.

O primeiro tempo terminava sem um chute a gol do Flamengo, em um jogo disputado muito mais na garra do que nas partes técnica e tática. As emoções pareciam estar guardadas para os 45min finais.

Logo aos 2min da etapa final, Ricardo Lopes tocou Juan com a perna direita, no bico da grande área, pela esquerda, e o árbitro Luiz Antonio Silva dos Santos apontou a marca do pênalti. Tuta cobrou rasteiro, no meio do gol, e abriu o placar no Maracanã.

Aos 6min, em um contra-ataque rapidíssimo, Juan passou para Diego, que lançou Tuta pela esquerda. O atacante avançou e cruzou para Leandro, dentro da área. Ele dominou e tocou de pé direito no canto oposto, na saída do goleiro Diego, marcando o segundo. Em 6min, mais emoção do que em todo o primeiro tempo.

Ao som de "A benção, João de Deus", a torcida tricolor, em êxtase, balançava o Maracanã, mas tomou um susto aos 9min, quando André Santos chegou na área, driblou dois zagueiros, mas chutou prensado, no bico esquerdo da pequena área. No escanteio, a zaga aliviou.

O técnico Cuca resolveu então apostar suas fichas em Zinho e Geninho nos lugares de Júnior e Marcos Denner, tentando dar novo ânimo ao clube da Gávea.

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Logo depois, Abel foi obrigado a tirar Leandro, que jogava no sacrifício por causa de uma lesão na clavícula esquerda, mas já havia feito seu papel na decisão. O artilheiro do Fluminense na competição, Alex, teria 30min para mostrar seu futebol.

Aos 19min, Diego aproveitou a defesa totalmente aberta do Flamengo e carregou da intermediária até a cara do goleiro homônimo. O arqueiro levou a melhor no chute colocado, evitando os primeiros traços de uma goleada.

Cuca resolveu então ir para o tudo ou nada e tirou André Santos, lateral, para a entrada de Adrianinho, meia-atacante. No primeiro contra-ataque da equipe das Laranjeiras, aos 25min, Juan desceu pela esquerda e tocou na medida para Alex, que dominou e deslocou o arqueiro adversário, tocando no canto direito. A goleada estava desenhada e o título assegurado.

Aos 29min, Preto Casagrande entrou pela direita e arriscou. A bola bateu na zaga e voltou para ele, que, com muita categoria, encobriu Diego. Era o quarto do Fluminense, para total delírio da torcida tricolor. Do lado oposto, cabeças baixas e torcedores deixando o estádio mais cedo.

O jogo se desenrolava em ritmo lento depois da goleada garantida e o time das Laranjeiras apenas esperava o apito final do árbitro, mas aos 45min, Zinho, no último lance de sua carreira, aproveitou sobra de uma bola na trave e colocou no canto esquerdo de Kleber. Não era o bastante para evitar a festa tricolor.

FLAMENGO

Diego; Ricardo Lopes, Rodrigo, Fabiano e André Santos (Adrianinho); Da Silva, Jônatas e Júnior (Zinho); Fellype Gabriel, Marcos Denner (Geninho) e Dimba
Técnico: Cuca

FLUMINENSE

Kléber; Gabriel, Antonio Carlos, Igor e Juan; Marcão, Arouca, Diego e Juninho (Preto Casagrande); Leandro (Alex) e Tuta
Técnico: Abel Braga

Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Luiz Antonio Silva dos Santos
Assistentes: Ronaldo Cristino Kenupp e Paulo César dos Santos Vaucher
Cartões amarelos: Diego, Kleber, Juninho (Fluminense), Da Silva, Ricardo Lopes, Dimba (Flamengo)
Gols: Tuta, aos 4min; Leandro, aos 6min; Alex, aos 25min; Preto Casagrande, aos 29min; Zinho, aos 45min do segundo tempo

https://youtu.be/xuKvB_nW6Cs

@PanoramaTri

Parabéns Washington, Coração Valente!

washington coração valente

Você já viu muitas comemorações de arrepiar quando se trata de Fluminense. Pode pensar nos pulinhos de Assis e Washington, na solitária corrida heroica de Renato em 1995, na garra de Flávio em 1969 e até imaginar como deve ter sido para Barthô nos 3 a 2 sobre a Gávea em 1912.

Mas poucas imagens têm a força desta publicada acima.

Washington encerrou a carreira como campeão brasileiro pelo Fluminense. Antes disso, foi figura marcante no time que encantou a América em 2008. Num dos maiores jogos da história do clube, ele foi o protagonista e ali marcou sua passagem para sempre com as nossas cores, naquele 21 de maio de 2008.

Em casa, golpeado pela morte de meu pai uma hora antes daquele Fluminense x São Paulo decisivo pela Libertadores, eu não vi aquela partida. Não olhei para a televisão mas ela estava ligada. Quando saiu o gol tido como impossível, na cabeçada fantástica que tirou o tricampeão mundial daquela competição, Renato se jogou em campo feito uma criança, três milhões de tricolores explodiram no Maracanã e pelo mundo afora, enquanto no mais completo silêncio de dor eu senti um momento de paz. Washington fez a homenagem mais justa que Helio Andel merecia.

O Coração Valente nunca jogou uma partida sem garra, nunca comemorou um gol sequer sem a mais pura emoção, foi body and soul dentro dos gramados, inclusive superando o próprio risco de morte depois de uma intervenção cardiológica que poderia ter lhe custado a carreira – mas ele nunca se acovardou diante das intempéries.

Hoje, primeiro de abril, Washington Coração Valente faz 41 anos. Mas já tem dois mil de Fluminense: com aqueles gols, aquela vitória contra o São Paulo e aquele título de 2010, ele já fincou lugar na eternidade há muito tempo.

@pauloandel

Há 51 anos

No nefasto dia 31 de março de 1964, o Jornal do Brasil publicava o encaminhamento da proposta do Santos ao Flu para a contratação de Carlos Alberto Torres.

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@PanoramaTri

Denilson, o Rei Zulu – 73 anos

DENILSON REI ZULU

Denilson Custódio Machado é o sétimo jogador que mais vezes vestiu a camisa do Fluminense, com 433 jogos entre 1964 e 1973. Volante, para muitos é tido como o primeiro cabeça de área da história do futebol brasileiro. Um marcador nato, que posteriormente desenvolveu o talento para lançamentos.

Revelado por Zezé Moreira e lançado no time profissional por Tim, foi tricampeão estadual (1969, 1971 e 1973), ganhando também três Taças Guanabara (1966, 1969 e 1971), além de ser campeão brasileiro em 1970.

Disputou a Copa do Mundo de 1966.

Denílson é daqueles que honraram a camisa do Fluminense em cada centímetro das camisas molhadas de suor. Dele, muitos herdaram a combatividade no clube, tendo como principais exemplos Rubens Galaxe e Marcão.

Ao Rei Zulu, toda celebração é pouca.

@PanoramaTri

Colaboraram os escritores Lucio Bairral e Valterson Botelho

Diego Souza, a incógnita (por Thiago Muniz)

diego souza alexandre cassiano o globo

Meu caro (a) amigo (a) tricolor,

Vimos o filme se repetindo mais uma vez.

Por mais que o senhor Diego Souza tente se livrar do rubro-negro, o dito cujo não larga dele. Isso é uma constatação, um fato.

Um craque, maluco, mas um craque.

Que amadureceu muito tecnicamente nos últimos 10 anos, mas nada mentalmente.

Tinha bola até para ir a uma Copa do Mundo, mas o seu lado psicológico não permitiu que crescesse como jogador. Talvez até disputar a Champions League por um clube português ou francês pudesse ser uma realidade.

Não fui favorável à sua vinda por conta do que fez no passado, mas vinha jogando muito no Sport e o Fluminense precisava de um 10 experiente no meio.

Gostei do que vi dele em alguns jogos, principalmente quando destruiu o Cruzeiro, mas em outros, talvez por ter que jogar improvisado de centroavante - no lugar do Todo Poderoso Visconde de Teófilo Otoni, se desmotivou.

Mas isso são só suposições, nada além disso.

O ar de Recife lhe fez bem: vai nadar com os tubarões rubro-negros, porque é o lugar que procura.

Uma pena, pois poderia contribuir muito para a equipe do Fluminense, mas cada um possui as motivações e fardos que merece.

Acaba sendo uma incógnita porque é um jogador com mente fraca.

O que resta é o Fluminense correr atrás de um camisa 10 com atitude e coragem de assumir com responsabilidade. Quem sabe a Dryworld banca essa idéia?

E vamos tocar o barco. Primeira Liga vem logo amanhã e a vitória chegará.

Com ou sem Diego Souza.

@PanoramaTri

Imagem: Alexandre Cassiano/O Globo

Há 45 anos

Especulações sobre Gerson, Ademir da Guia, Dirceu Lopes e muito mais.

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@PanoramaTri

Naná Vasconcelos e Assis

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Minha coluna já estava quase pronta há pouco, quando fui golpeado pela notícia da passagem de Naná Vasconcelos, um dos maiores músicos brasileiros de todos os tempos.

Então tudo mudou, por uma infeliz coincidência associada às minhas lembranças sobre o Fluminense. Explicarei.

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Em 30 de maio de 2014, o Fluminense promoveu em sua sede um encontro com algumas feras do time campeão brasileiro trinta anos antes. Foi uma noite concorridíssima e de forte emoção, tendo em vista que o artilheiro Washington havia falecido cinco dias antes.

Estavam presentes Duílio, Romerito, Wilsinho “Xodó da Vovó” e Assis.

Cerca de uma hora e meia de causos, lembranças e risos, estes disfarçando a dor ali sentida pela perda do estimado camisa 9. A plateia, mesmo comovida, cantava e gritava como se estivéssemos nas velhas arquibancadas daquele Maracanã que também faleceu, vitimado pela força da grana que ergue e destrói coisas belas.

À saída, os ídolos foram louvados como sempre. O único a sair imediatamente foi Assis, cercado por uma legião de fãs como era de se esperar. Percebi que sua caminhada era lenta e, na verdade, ele se apoiava no ombro de um rapaz que creio ser seu filho. O ícone de 1983 e 1984 mantinha sua passada elegante, calma, mas daquela vez parecia dolorida. Alguém ao lado, acho que o Mauricio Lima ou um outro camarada, disse “Cara, ele está muito emocionado, o amigo acabou de falecer, deve ter sido por isso que estava sendo amparado!”.

Não foi o que pensei, mas fiquei em silêncio de contemplação. Assis era um ex-atleta, esguio, imponente. Por mais que estivesse emocionado – e é claro que estava -, eu, que o vi tantas vezes em caminhadas nas Laranjeiras e no gramado do Maracanã, achei que alguma coisa estava errada. Um homem elegante caminhado com sua dor elegante, versos de Leminski à vista:

“Um homem com uma dor/ É muito mais elegante/ Caminha assim de lado/ Como se chegando atrasado/ Chegasse mais adiante/ Carrega o peso da dor/ Como se portasse medalhas/ Uma coroa, um milhão de dólares/ Ou coisa que os valha/ Ópios, édens, analgésicos/ Não me toquem nesse dor / Ela é tudo o que me sobra/ Sofrer vai ser a minha última obra”.

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Domingo de manhã, seis de julho de 2014, prestes a sair para tomar café, o inbox me convocou às sete da manhã. Meu amigo Matheus Frigols, também deste PANORAMA, comunicou a pior das notícias: Assis estava morto.

Desisti da programação inteira e vim para cá escrever. Era minha obrigação. Pouca gente sabia do ocorrido. E você precisa contar a perda do seu grande herói, do cavaleiro imortal daqueles Fla-Flus condenados à eternidade.

ASSIS VIVE!

Eu tinha visto a dor elegante de Assis. E chorei.

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Os que conhecem a minha trajetória de cronista sabem do meu apreço por música, tamanho a ponto de manter uma loja de discos por quatro anos sem lucro até que não foi mais possível. Moro numa casa que parece um depósito de CDs, uns três mil – já teve três vezes mais. Misturados aos livros, eles compõem a beleza e o caos de uma casa modesta.

Conheci Naná Vasconcelos desde criança, era uma presença na vitrola de meu pai. Músico refinado, dos maiores que este país já teve, percussionista cujo talento cativou vários dos maiores artistas do jazz: Miles Davis, Art Blakey, Tony Williams, Don Cherry, Pat Matheny e Oliver Nelson. Só.

Naturalmente, sou um tremendo fã. Naná, torcedor do Santa Cruz, frequentador do Mundão do Arruda.

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Treze de agosto de 2015, um show espetacular do percussionista no teatro do BNDES. Por sorte, consegui o ingresso na primeira fila.

Temas e temas fantásticos, mais do que um show, uma experiência.

Uma coisa me chamou a atenção: ao término de cada faixa, debaixo de aplausos incontáveis, Naná respirava fundo demais e tocava as costas. Parecia sentir dor. Isso aconteceu várias vezes. Eu, que já tinha visto várias apresentações do artista, achei  estranho e, num súbito, a primeira coisa que me veio à cabeça foi aquela dor elegante do Assis. Segundos depois, um ateu disse “cruz credo” e a vida seguiu.

Show terminado, a plateia voando para comprar o CD novo, fantástico. Só me incomodou a capa vermelha e preta, mas de brincadeira.

No coração do centro da cidade, caminhei e pensei nos lindos versos malditos:

“Um homem com uma dor/ É muito mais elegante/ Caminha assim de lado/ Como se chegando atrasado/ Chegasse mais adiante/ Carrega o peso da dor/ Como se portasse medalhas/ Uma coroa, um milhão de dólares/ Ou coisa que os valha/ Ópios, édens, analgésicos/ Não me toquem nesse dor / Ela é tudo o que me sobra/ Sofrer vai ser a minha última obra”.

Naná e Assis, biótipos parecidos. Dois monstros nas suas áreas de atividade. Poetas da música e do futebol.

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Poucos meses depois, o músico está internado. Leio as notícias e fico sabendo que ele descobriu um câncer no pulmão logo após ter feito a apresentação no BNDES. As dores nas costas e a respiração difícil eram o aviso daquela noite.

Naná começou o tratamento, voltou a se apresentar e ainda fez sua grande exibição no Carnaval do Recife. Não voltaria ao Rio de Janeiro para mostrar sua música mágica e inconfundível

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Acabei de parar tudo e jogar a outra coluna fora. Naná Vasconcelos acabou de falecer. Seu legado musical é eterno. Penso nele e em Assis, dois distantes ídolos, dois elegantes exemplos de talento, dois homens negros que superaram a origem pobre e as dificuldades para alcançarem a consagração. Dois homens humildes, ao contrário de tudo que vemos hoje por aí afora, a começar pelos neandertais da internet.

Aquelas dores elegantes das Laranjeiras e do teatro do BNDES só existiram na minha pequena observação particular, mas é justo dizer que elas faziam todo sentido. O Assis é um escudo do Fluminense; o Naná bem poderia ter sido um. Quem dera. Tinha o coração no Santa Cruz, mas sua estirpe era, sem dúvidas, a cara das Laranjeiras.

Os craques vão passando, a história vai escorrendo e os homens dignos ficam mais tristes.

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Nosso cronista – e músico - Marcus Vinicius Caldeira teve a oportunidade de passar uma tarde com Naná Vasconcelos, quando estava hospedado na casa de Edwin de Olinda – outro monstro da percussão, tendo integrado por muitos anos a banda de Alceu Valença.

Nas palavras de Caldeira, “Ele sentado no banco da praça em Olinda é uma das grandes lembranças pessoais que tenho. Uma perda irreparável. Um dos maiores percussionistas do mundo.”

Entende-se então o luto deste PANORAMA. Naná Vasconcelos e George Martin mortos no mesmo dia são um soco na cara.

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Amanhã à noite tem o importante jogo contra o Criciúma, na estreia de Levir Culpi e, a julgar pelas palavras do treinador, as expectativas são as melhores.

Que tudo dê certo. Torçamos muito.

Rods e Crys já falaram muito bem sobre o tema nas colunas de hoje, o que ajuda a poupar meu desvio de foco nesta publicação.

É que o futebol e o Fluminense são fundamentais, mas a vida sem amor, respeito e consideração ao próximo não tem cabimento, exceto para os idiotas que jamais terão espaço aqui, sequer na lixeira.

Aqui é Naná Vasconcelos, não Milli Vanilli.



@PanoramaTri

Não existe bonzinho no futebol…

paulo vintage panorama charge

Suposta ou teoricamente, Cuca ficou chateado com a possibilidade de não ser o único treinador procurado pelo Fluminense para a atual vaga em aberto.

Seria uma reação plausível, caso o próprio Cuca não tivesse quatro décadas de futebol nas costas dentro do gramado e à beira dele.

E no futebol não existem bonzinhos, salvo raríssimas exceções.

Não teria porque defender o atual governo tricolor numa vírgula que fosse, pelo contrário. E, se a dupla conversa aconteceu, que se tivesse algo muito raro nas Laranjeiras há tempos, como inúmeras manchetes podem atestar: sigilo absoluto. Mas, sinceramente, meu pensamento é outro: a Caesar o que é de Caesar.

Há sete anos, o próprio Cuca foi criticado por Muricy Ramalho: o primeiro teria se oferecido para o São Paulo, visando o cargo do segundo.

CLIQUE AQUI E VEJA

Então, o papo de bonzinho não cabe.

Às vezes, nós, torcedores, nos deixamos iludir com a falsa promessa de um mundo do futebol perfeito, onde tudo é belo e maravilhoso, onde interesses pessoais não se sobrepõem aos dos clubes - é assim no mundo inteiro. O beijo no escudo, o drama de novela, o abraço de comemoração, as frases de feito, o jeito bonzinho, as criancinhas no colo e outros clichês. Trocar de time é trair o sentimento.

Cuca teve uma grande passagem pelo Fluminense em 2009, cujos episódios dos bastidores são inúmeros e bem menos bonitos do que o resultado final no Couto Pereira diante do Coritiba, capazes de constranger o mais apaixonado torcedor que acredita em amor ao Clube. Um ano antes, 2008, ele mesmo tinha sido demitido do Fluminense na zona de rebaixamento depois de dizer “Cheguei ao meu limite”.

No futebol, tudo muda rápido, o  que às vezes pode ser ótimo, vide o exemplo acima.

Muita coisa não foi dita nem escrita. O primeiro livro publicado no país sobre o que se convencionou chamar “Time de Guerreiros” é de minha autoria; nele, só entrou o que havia de poético na história.

O Cuca de 2009 era um treinador em afirmação. Hoje, tem grandes títulos e uma grande conta bancária, conquistada com seu esforço, mais o auxílio luxuoso de Eduardo Uram. Não sei o que o assessor de imprensa Francis Melo pensa  disso.

Se vier para o Flu, Cuca é um grande reforço capaz de tirar o time da draga, como pode ser Levir. Pode levar o nosso time a glórias e grandes vitórias, o que todos sempre desejamos. Mas não é um bonzinho: trata-se de um profissional na acepção da palavra – e aí sim dá para dizer que, em termos de Laranjeiras, é um reforçaço.

Amigos e amigas, bonzinhos somos nós, torcedores. Onde tem dinheiro, poder, vaidade e interesses pessoais, o bonzinho é o primeiro a ir para o paredão ou jogado à cova dos leões. Não existe ponto sem nó.

Bombom versus Maumau, só no velho e querido desenho animado de antigamente.

No mais, que o Flu recobre o caminho das vitórias logo mais com um dos raros homens 100% dignos do futebol: o nosso eterno Marcão. E que na sexta a nova camisa traga bons ares ao nosso amor das Laranjeiras.

PS: atualizando... CLIQUE AQUI.

@pauloandel

Cem reais

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Fla x Flu em Brasília, a uns quinze quilômetros de casa, no Mané Garrincha.

Eu não vou. O ingresso custa cem reais.

A razão para esse preço? Ganância. A última explicação que ouvi foi de que pra se beneficiar os sócios-torcedores, o preço do ingresso tem de ser mais alto mesmo. Então o apaixonado por futebol mas não torcedor de um dos dois times do jogo é alijado da partida.

O estádio, público, perde sua função social. Vira privilégio de poucos. Levar minha família a este jogo seria um programa de, no barato, 350 reais.

De quem é a responsabilidade?

Paulo Rocha, o novo craque do PANORAMA

Paulo Rocha é jornalista, fará 52 anos em maio e é reconhecido por seu amor ao Fluminense. Graduou-se pela Facha e atuou na Assessoria de Imprensa da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa, Revista Lutador, Agência Noticiosa Sport Press, Jornal Lance, Jornal dos Sports, Jornal O Fluminense, websites Esporte na Globo e da revista Placar, além do Jornal RJSports. Foi repórter setorista de Fluminense, Flamengo e Vasco, além de ter feito a cobertura de diversas provas de esporte a motor, como Fórmula-1, Fórmula Indy/ Mundial e Motovelocidade.

Além da parte profissional, Paulo manteve estreita relação com o Tricolor pelo lado pessoal desde a infância. Criado em Laranjeiras, presenciou os dribles de Rivelino, os passes de Paulo César, a categoria de Carlos Alberto Torres - dentre outros “deuses” -, assistindo aos treinamentos.

Presente em grandes momentos do time como torcedor ou fazendo a cobertura jornalística, Paulo Rocha anseia dividir com os leitores do Panorama Tricolor um pouco da sua paixão pelo Fluminense FC.

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Panorama 2016 – Quinta Temporada

Desde 2012 aqui estamos para reunir duas paixões: literatura e o Fluminense.

É o que temos feito em mais de 3 mil postagens, entre textos, poemas, matérias, TV, rádio e multimeios.

Nem formar opinião, nem forjar opinião, mas escrever, escrever, escrever.

Daqui a pouco estamos 100% de volta.

Tudo isso e muito mais.

PANORAMA TRICOLOR 2016 - QUINTA TEMPORADA

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@PanoramaTri

 

Há 30 anos, o Flu prejudicado

Se você pensa que o Fluminense começou a ser prejudicado há pouco tempo, pode se surpreender com as notícias de 07/12/1985. Já naquele tempo, o Tricolor era obrigado a se afastar da Federação por problemas que remetem aos dias atuais. No entanto, nada disso impediria o tricampeonato tricolor.

Na parte curiosa, a torcida impaciente com Washington, que viria a ser um dos grandes artilheiros da história do clube.

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@PanoramaTri

Cartola, 35 anos de saudades

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O Marechal do Samba nos deixou há exatos 35 anos, em 30/11/1980, aos 72 anos de idade. Fanático tricolor, Cartola deixou a vida como sempre foi: campeão.

No mesmo dia, o Fluminense ganhou o título de Campeão Carioca de 1980 contra o Vasco.

O PANORAMA no SBT (27/11/2015)

 

paulo no sbt

Para quem não conseguiu assistir ao vivo, a participação do nosso cronista Paulo-Roberto Andel no programa SBT Esporte Rio, liderado pelo Garotinho José Carlos Araújo.

Agradecimentos a Nathália Pereira.



@PanoramaTri