Laranjeiras: nossa casa (por Aloísio Senra)

INFORMÁTICA PARA PEQUENOS E MÉDIOS AMBIENTES

Tricolores de sangue grená, nosso querido Fluminense, em que pese todas as dificuldades enfrentadas pelo escasso elenco, não está fazendo feio até aqui. Fomos vice-campeões cariocas no apito, desclassificados da Copa do Brasil parcialmente pelo apito, prejudicados em alguns jogos do Brasileiro… pelo apito, e, ainda assim, frequentamos a sétima posição nesta competição e seguimos vivos na Copa Sul-Americana, já tendo conseguido grande vantagem sobre o Universidad de Quito para o jogo da volta. Ah, sem falar da Primeira Liga, que também ainda disputamos. Porém, nem isso tem sido o bastante para lotarmos os estádios.

Seja em Edson Passos ou no Maracanã (ou em outras praças nas quais já atuamos em 2017), o público recente tem sido muito aquém do que poderíamos esperar e as condições estão longe de serem as melhores. Com isso, temos prejuízo técnico no campo do America (visto o mangue do último jogo) ou prejuízo financeiro com o Maraca (que custa R$ 600.000 por jogo aos cofres do clube). Quanto à questão do gramado não há muito o que se fazer a respeito, exceto investir para melhorar a infra-estrutura. Gastar dinheiro num campo que não é nosso, diga-se de passagem, me parece, também, um baita prejuízo.

Já a questão da torcida merece um parágrafo à parte. Podemos destilar vários dos velhos argumentos: a torcida é modinha, a torcida do Flu agora não sai do sofá, a torcida do Flu só fica nas redes sociais, o ingresso é muito caro, os jogos são num horário muito ruim, o trânsito é péssimo, o local de realização da partida é muito distante, o time é muito instável, toma um monte de gols quase todo jogo, não temos craques, não temos ídolos, etc. Sabemos, é claro, que todos estes fatores contribuem, de alguma forma, para o cenário que vemos, mas há um problema maior: falta identidade.

Não dá pra negar que o Novo Maracanã não emplacou como deveria. A estrutura é ótima, mas os serviços são caros, o estádio é frio e não tem o mesmo ambiente. Perdeu-se a identidade criada há décadas por todas as torcidas dos clubes do Rio que lá jogavam, e esta nova que tentam nos empurrar goela abaixo parece pasteurizada, robotizada e forçada. Além disso, há o problema do marketing. Precisamos de 25.000 pagantes para não tomar prejuízo, e não há estímulo adequado ao torcedor. A experiência de ir ao Maracanã se resume a ver o jogo e só. É muito pouco para os valores de ingressos praticados.

Por outro lado, Edson Passos não é nossa casa. Por mais que quebre um galho, não será nossa casa. A não ser que o Fluminense compre o estádio do America, remodele-o e amplie-o, dobrando ou triplicando sua capacidade e criando uma atmosfera que hoje nele inexiste, continuará não sendo adequado às nossas aspirações ou mesmo necessidades. Não há identidade nenhuma do torcedor tricolor para com o Giulite Coutinho. Como não há com o Engenhão (apesar de ser nosso salão de festas, hoje ele fede a Botafogo), Los Larios, Moça Bonita, ou outro muquifo em que nos enfiamos para conseguir jogar. E sabem o que é mais triste? Temos casa, mas vivemos de aluguel.

Temos um patrimônio de valor inestimável construído em 1919 para abrigar a primeira competição sul-americana de seleções. Estamos a dois anos do centenário da construção que já serviu de casa para todos os outros clubes do Rio, e absolutamente NADA está sendo feito para reformá-la. Existem correntes no clube, sei bem, que desejam isso avidamente, tanto quanto eu. Há um projeto que prevê, sem destombamento, uma reforma sem custos para o clube (pois envolveria captação de recursos), no valor de R$ 16 milhões, que deixaria Laranjeiras pronta para receber jogos e abrigar até 16.000 presentes. Este projeto, aliás, já tinha sido apresentado ao Sr. Siemsen, que o olhou e… o engavetou.

Se podemos jogar para 7.000 presentes em Edson Passos, por que não nas Laranjeiras? Ah, tem o trânsito, tem os arredores, tem o laudo, tem a putaquepariu… não, amigos, não tem, não. Trânsito é resolvido pela CET Rio, os arredores são tão estreitos quanto os da Arena da Baixada, e lá tem jogo toda semana praticamente. Os laudos são de possível aquisição. Falta apenas vontade. Vontade política que Pedro Abad e seus aliados políticos PRECISAM ter. É preciso aliar a capacidade empreendedora (que Pedro Antônio possui, por exemplo) com o bom senso e a colocação dos interesses do clube acima de tudo. Antes do CT tinha a desculpa de não termos lugar para treinar. Agora não tem mais. Já passou da hora de reformarmos nosso estádio.

O Fluminense foi espoliado parcialmente de seu patrimônio para que o progresso não fosse freado nos anos 1960. A partir de 2003, não pôde mais usar as Laranjeiras, tornando-se permanentemente cigano. Os tricolores mais idosos já estão fazendo sua passagem. Cresce o número de jovens tricolores que jamais viram o Fluminense jogar em sua casa verdadeira. Com isso, como criar a tão necessária identidade tricolor? O ideal, todos sabemos, seria um novo estádio, para 40.000 pessoas pelo menos, num local acessível, e tudo mais. Só que não temos grana. Não há como investir agora nesse projeto. Construir um estádio novo para uma capacidade menor que esta não faz sentido, pois não poderemos mandar todos os jogos nele.

Competições como a Libertadores, por exemplo, exigem esse mínimo de capacidade para os jogos finais. Que sentido faz ter a sua casa se, na hora de comer o filé, os investidores serão deixados de lado porque a final só pode ser jogada no Maracanã. Não dá, né? Então, Sr. Pedro Antônio, muito obrigado pelos serviços prestados, mas construir estádio novo para 22.000 pessoas é um contrassenso. Enquanto não podemos perseguir este sonho, temos o dever cívico de reformar a nossa casa para voltarmos a receber visitas. O salão nobre não pode mais ser o principal atrativo da Álvaro Chaves.

– Curtas

– Peço perdão pelo texto longo, mas precisava fazer este desabafo. Dói-me demais nos contentarmos em jogar em estádios acanhados e colocar mil barreiras para a tentativa de reformar o nosso para receber partidas.

– Marquinho se machucou. Que pena.

– Queria entender a lógica do Abel às vezes… Mascarenhas entrou na lateral-esquerda comendo a bola e, de repente… sumiu! Voltou o famigerado Léo e seus arremessos para a área. Podia pelo menos aprender como faz com o cara lá da Chapecoense…

– Henrique Dourado está comendo a bola de uma maneira impensável. Que continue assim!

– Como joga bola esse Wendel, já merece a Seleção há muito tempo, desde os tempos do sub-20.

– Domingo tem o Baêa na Fonte Nova. É hora de colar nos líderes. Dois a zero, Dourado e Wendel.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: alo/ffc/globoesporte

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