Calazans e a hora do Fla-Flu (por Paulo Rocha)

As expressivas vitórias sobre o Deportivo Cuenca e o Paraná, ambas no Maracanã, trouxeram momentaneamente ao Fluminense a paz que a situação financeira do clube insiste em negar. E na goleada sobre o lanterna do Campeonato Brasileiro, além da boa atuação, há um fato importante a se destacar: o retorno de Marquinhos Calazans aos gramados.

O jovem atacante mostrou surpreendente desenvoltura e a costumeira ousadia. Após quase um ano parado – que sina essa de nossos jovens talentos!-, mostrou estar apto a ajudar nosso Tricolor na fase mais decisiva da temporada. O próximo jogo é, simplesmente, o Fla-Flu. E este duelo deve ter um sabor especial para o promissor garoto de Xerém.

Sim, pois foi devido a uma agressão de dois torcedores do rival, revoltados após uma derrota para o Independiente na final da Sul-Americana do ano passado, que Calazans ficou tanto tempo longe dos gramados. Uma covardia sem par. O joelho operado foi chutado pelos vândalos e o jogador teve que ir à mesa de cirurgia mais uma vez.

Apesar da maioria do nosso país estar achando que a violência é o melhor remédio para corrigir as injustiças, não partilho da opinião. Para mim, Calazans tem que se vingar do acontecido jogando muita bola, indo para cima, disputando o Fla-Flu como se fosse o jogo da sua vida. E, de certa forma, será.

O secular duelo entre Fluminense e Flamengo é pródigo em criar mitos. É um jogo que está acima da nossa compreensão, diria Nelson Rodrigues. Começou 40 minutos antes do nada. Que essa mística se perpetue e que neste sábado, no Maracanã, possamos reeditar os nossos melhores momentos. A chama está acesa e, tomara, ela ilumine os pés de Calazans. Devido ao que passou, vencedor ele já é. Vamos ver o que o destino lhe reserva daqui para a frente.

Panorama Tricolor

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