A batalha do outubro tricolor (por Aloísio Senra)

Tricolores de sangue grená, o bicho pegou. Nossas péssimas atuações, falta de padrão de jogo e de peças de reposição de qualidade finalmente está cobrando o seu preço. A derrota para o Grêmio no Sul, principalmente pelo placar mínimo, poderia ser encarada como normal em qualquer outra circunstância praticamente. Todavia, pela necessidade da vitória sobre um oponente muito desfalcado, acabou sendo uma tragédia. Os resultados da rodada não ajudaram nem um pouco, e voltamos a encarar a assombração de perto.

A verdade é que não há como ser diferente. Um time que vence apenas sete partidas em 26 não pode querer estar em situação melhor. A bola pune, e a tabela executa. Até aqui, tivemos aproveitamento de 39,7%. Para conseguirmos nos livrar da degola, precisamos de (no meu entender) mais 17 pontos, para chegarmos à segura pontuação de 48. Isso significa que, nos 12 jogos restantes, precisaremos de cinco vitórias e dois empates (ou quatro vitórias e cinco empates, ou ainda três vitórias e oito empates).

Para tanto, precisaremos de um aproveitamento de quase 50%, pois restam 36 pontos em disputa, o que quer dizer que o nível precisa começar a subir a partir de agora. Como em 2013, está tudo absurdamente embolado, e isso é perigoso pra caramba. Entre o oitavo e o décimo-oitavo colocados, a diferença é de ínfimos quatro pontos. Quem errar mais, dança. Existem 13 times na luta contra o rebaixamento. Quatro vão cair. Precisamos começar a fazer algo diferente para não estar no bolo da morte.

Abel erra, mas não é o principal culpado, como sabemos. Só que apontar os culpados AGORA não vai resolver os nossos problemas. Acredito, sinceramente, com a minha parca formação acadêmica em futebol (nenhuma), que já deu para Léo e Orejuela no time titular. Mascarenhas (que volte da seleção Sub-20, precisamos dele) e Marlon Freitas estão num momento melhor estatisticamente. Quando nossos zagueiros voltarem, Reginaldo e Henrique precisam formar a zaga. É o que temos de menos pior. Lucas não tem concorrência, mas precisa abrir o olho, porque está mal. Talvez seja hora de testar alguém nesse setor.

Douglas e Wendel ainda merecem a titularidade, mas Wendel precisa ser questionado. Não está jogando mais nada desde o imbróglio com o PSG. Se não conseguir voltar a atuar no nível de antes, que amargue um banquinho. Scarpa está muito mal, mas acho que se resolve com treinamento adequado, pois ele não se omite. Sornoza, que precisa estar em condições de atuar 100% já para o próximo jogo e Dourado, que não pode sair do time, completam a escalação. Wellington Silva infelizmente já merecia o banco, ainda que não tivesse o problema no púbis que o deixou fora de combate.

Como nosso antigo arqueiro finalmente voltou à forma de 2012, um time com Cavalieri, Lucas, Reginaldo, Henrique e Mascarenhas; Marlon Freitas, Douglas, Wendel, Scarpa e Sornoza; com Dourado no ataque, talvez seja a melhor formação possível com o que temos atualmente. O esquema tático pode variar. Podemos ter um 3-4-3, com Lucas e Mascarenhas compondo as alas, indo e voltando, e Scarpa e Sornoza se aproximando de Dourado, ou um 3-5-2, com Marlon Freitas fazendo o líbero, Mascarenhas e Lucas jogando de alas, Douglas mais preocupado em marcar e Wendel transicionando a bola para Scarpa ou Sornoza, que alternariam de posição para fazer companhia a Dourado.

Os reservas também podem, se merecerem, ganhar uma chance nessa variação tática. Talvez Robinho possa mostar futebol o bastante para justificar a companhia a Dourado no ataque. Temos alguns reservas que estavam bem, mas se machucaram, como Luiz Fernando e Calazans. Nesse ponto concordo com o Abel: a sorte nos abandonou. Então, que rememos contra a maré ou contra a correnteza, porque ela está querendo nos arrastar para o redemoinho do descenso, e se há um clube que não pode nunca mais cair, por tudo o que já passou, esse clube é o Fluminense.

Flamengo (f), Avaí (c), São Paulo (c), Chapecoense (f), Bahia (c), Botafogo (f), Coritiba (c), Cruzeiro (f), Corinthians (f), Ponte Preta (c), Sport (c) e Atlético-GO (f); esse é o nosso ordálio até o fim do campeonato. Se ganharmos os seis jogos em casa, estamos livres. Só que nosso aproveitamento em casa é muito ruim atualmente. Se perdermos algum desses jogos em casa (pro São Paulo, por exemplo), precisaremos vencer algum fora (Chapecoense ou Atlético-GO, por exemplo). Nos demais, é tentar pontuar. Empates, nesse sentido, não seriam de todo ruim, se pensarmos a longo prazo, mas como o critério de desempate é o número de vitórias, temos que jogar todos tentando vencer.

Essa necessidade se acentua ainda mais se pensarmos que o psicológico pode pesar para um grupo tão jovem se, no frigir dos ovos, precisemos vencer a todo custo as últimas duas partidas, por exemplo. Garantir de antemão a permanência na Série A pode até estimular a equipe a brigar por um G8 (caso o Grêmio vença a Libertadores), plenamente possível no momento atual, em que todos estão embolados. Enfim, hoje a realidade é olhar para baixo e entender o sinal vermelho. Mas, se tudo der certo, em novembro já poderemos voltar a olhar para cima. Aguardemos!

Curtas:

– Finalmente despachamos a maldita LDU. Que eles desapareçam da história do futebol para sempre, junto com a sua desgraçada altitude. LDU nunca passou de um Once Caldas: tiveram dois brilharecos com a ajuda da altitude e da arbitragem, e só.

– O Fluminense não pode deixar que o Independiente Del Valle acione a FIFA. Se preciso for, devolvam Orejuela pros caras para quitar a dívida.

– Teremos três confrontos contra a Dissidência num período de 20 dias. Eles são muito superiores em termos de elenco, mas não vêm jogando um futebol vistoso. Eu sempre acredito na tradição da nossa camisa. Vamos vencê-los no Fla x Flu e eliminá-los da Copa Sul-Americana, para desespero da imprensa marrom.

– Diretoria, não sei se parte do problema são os salários atrasados (pois noto a apatia de alguns jogadores em campo), mas, se forem, façam o impossível para garantir o pagamento deles, mesmo que isso gere uma dívida. Valores financeiros são administráveis; valores históricos, nunca.

– E, claro, esqueçam qualquer projeção de lucro com ingressos nesse momento. Nos jogos em casa, promoção em todos os setores, para garantir que vá lotar. Dependendo de como o marketing for feito, poderemos até ter lucro nessas partidas, se a torcida comprar a briga. Vamos trabalhar!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: alo

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