Até um dia, Marco Aquino (por Marcus Vinicius Caldeira)

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Infelizmente, a torcida do Fluminense está menos inteligente, menos animada, mais desfalcada.

Ontem, faleceu o grande tricolor de arquibancada Marco Aquino. Um perda irreparável, inestimável para as arquibancadas e para o clube como um todo.

Conheci Aquinão, como era conhecido, quando participei ativamente da construção do Pavilhão Tricolor, que se propunha a ser uma alternativa de gestão na sucessão de Roberto Horcades em 2010. Tivemos muitas noites juntos, formatando o estatuto e a política do grupo, saindo em conversas com tricolores, e tal.

No final, após uma assembleia conturbada (eu era o primeiro secretário do grupo) resolvi sair, por não concordar com a questão de método e tática.

Mas ficaram algumas boas recordações e amizades, embora a política fratricida do clube acabasse nos afastando.

Em 2010, fui no ônibus da Legião até Campinas, para ver Fluminense e Guarani (jogo em que Sheik se machucou). Entrei no veículo e já com meus 40 anos, pensei: “Estou ficando velho para isso”. A molecada da Legião era acelerada. Eis que Aquino estava lá, já com mais de 50 anos, cantando, bebendo e gritando feito um louco a viagem inteira. Foi a inspiração. Entrei na onda. Assim era Aquino, puta pai de familia, muito bem sucedido profissionalmente, inteligente, bom senso, mas que quando estava com a galera, virava uma criança.

Em 2011, em Buenos Aires, encontrei com Aquino no jogo contra o Argentinos Juniors. Todos nós tínhamos tomado muitas cervejas a tarde inteira lá. Aquino, veio de forma entusiasmada: “Pô, precisamos retomar a luta pelo Fluminense que sonhamos”… Chamando para conversa em torno do PavTri de novo ou algo do gênero. Estava tão entusiasmado que tropeçou na arquibancada e rolou uns degraus. Leves arranhões. Levantou-se com calma, ajeitou os óculos e continuou a conversa. Ele era simplesmente fantástico.

Em seguida, nesse mesmo jogo, enrolou um senhor – que foi para nossa torcida com a camisa do Botafogo – numa bandeira do Flu. Ver o jogo com a camisa do Botafogo, tudo bem, mas só se for enrolado na bandeira do Flu. E o senhor passou o segundo tempo inteiro igual a uma múmia enrolada na bandeira do Flu.

Tomamos caminhos diferentes.

A gestão me conquistou pelo zelo com o clube, pela reforma de Xerém e política para a base e, como à época eu gostava muito do Celso Barros, por ter terceirizado o departamento de futebol a eles. Aquino continuou um crítico da gestão. Mas não o crítico raivoso que bate em tudo, non sense. Um crítico como ele tem de ser.

Perdi contato com ele nesses últimos dois anos. Infelizmente.

Quando nós éramos do Pavilhão, em Buenos Aires mesmo, dia seguinte ao jogo do Argentinos Juniors, fomos tomar um vinho e ouvir um tango (só voz e violão) no Boliche del Roberto. Ele foi com sua esposa, argentina, uma pessoa extraordinária.

Falei para ele ali: “Aquino, você tem que ser o nosso candidato a presidência do Fluminense”.

Ele desconversou.

Não tenho dúvida alguma: seria um grande presidente.

Infelizmente, não deu.

Ficam as recordações.

Até um dia, Aquinão, quando nos encontraremos para uma outra folia.

Triste. Foi cedo demais.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: Marco Aquino

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