Até a pauta do Fluminense é equivocada (por Marcelo Savioli)

Amigos, amigas, o time dos maus costumes está prestes a conquistar os dois principais títulos da temporada no futebol sul-americano nos próximos dias.

Por mais caótico que seja vermos o triunfo da esperteza e da trapaça, é preciso que saibamos identificar as oportunidades mesmo no caos.

Com a consolidação do projeto de espanholização do futebol brasileiro, proposto, comandado e executado pelas Organizações Globo, é possível vislumbrar diferentes desdobramentos.

O pior de todos é a acomodação generalizada com esse estado de coisas, que é o que vemos na diretoria e em parte da torcida do Fluminense.

Há um outro cenário em que os clubes busquem soluções para contornar o problema de suas dívidas na casa dos nove dígitos, criem modelos geradores de riqueza, tornem-se menos dependentes do dinheiro da TV e, num momento futuro, rompam em definitivo com esse modelo perverso proposto pelas Organizações Globo.

O fato, porém, é que o primeiro passo precisa ser dado. Tem que ser um passo de cada vez. Nesse aspecto, temos o Botafogo, um clube que vem hierarquizando adequadamente suas pautas.

Brigando contra o rebaixamento, em situação pior que a do Fluminense, pois seu gráfico recente é de declínio acentuado nos resultados, o Botafogo vive intensamente a pauta da revitalização.

Sim, enquanto o Fluminense vive a pauta da sobrevivência, o Botafogo se mobiliza pela sua revitalização. É que a ascensão meteórica do Flamengo, de clube falido a potência mundial no futebol, pode gerar um ambiente de negócios altamente satisfatório aos investimentos.

A presença de grandes nomes no Flamengo coloca o Brasil no mapa do futebol mundial, o que pode servir de insumo a iniciativas de outros clubes para pegar a onda rubro-negra, de modo, inclusive, a revitalizar o futebol brasileiro enquanto produto.

Pois o Botafogo está constituindo um fundo gestor e investidor para, já a partir de 2020, dar uma virada em sua história, criando um mecanismo de controle e enfrentamento da dívida e, ao mesmo tempo, de geração de receitas.

O projeto do Botafogo tem a mesma essência do esboço que publiquei aqui no Panorama. Por esses dias li que o fundo tem a expectativa de captar até R$ 400 milhões para o projeto de reerguimento de uma das grandes grifes do futebol brasileiro.

O projeto prevê a contratação de jovens valores, com potencial de retorno esportivo e econômico, que seriam um grande investimento do clube e a garantia de remuneração do capital investido.

Não se trata de clube empresa, tampouco de o clube ter um dono. Trata-se de um projeto sério, que prevê a profissionalização da gestão de todos os aspectos ligados ao futebol, que será gerenciado pelo fundo, que, ao que me parece, já está instituído e trabalhando para a regularização do modelo de negócios proposto.

Chama-me atenção o fato de que o Botafogo tenha a expectativa de captar até R$ 400 milhões, porque o esboço de projeto que publiquei incluía a captação de R$ 440 milhões.

No entanto, a reação de alguns tricolores foi ironizar a minha proposta pelo fato de eu ter incluído nela a captação de R$ 440 milhões em recursos. Talvez os mesmos entendidos queiram mostrar aos irmãos Moreira Sales, donos do maior conglomerado financeiro da América Latina, que a ideia deles é digna de risos.

Talvez, para esses tricolores, a melhor pauta seja mesmo as contas para nos livrarmos do rebaixamento, as renovações de contrato para 2020 e a caça às bruxas, com revisão de contas do passado.

Não sou contra a revisão de contas do passado, porque é preciso que pessoas sejam responsabilizadas pelo caos financeiro em que nos encontramos. E não tenho dúvida de que uma auditoria externa, como estão propondo, encontrará coisas do arco da velha, muitas das quais eu cansei de denunciar nesses últimos anos, embora sem receber apoio de grande parte dos formadores de opinião da torcida do Fluminense.

Como, aliás, o esboço de projeto que publiquei não repercutiu como eu creio que deveria. Parece que eu estou meio que na contramão, falando de coisas que não têm relação com a nossa realidade de clube falido e acomodado, que ruma bovinamente para o matadouro ruminando injúrias e lamentos.

Mas ainda é tempo de nossa torcida se mobilizar. Estarei no Maracanã nos próximos jogos e, se necessário for, irei ao Itaquerão na última rodada, como estive em Curitiba no Green Hell, em 2009, e em vários jogos da Terceira Divisão, em 1999.

Só tenho que avisar aos bravos navegantes que o nosso maior problema não é um rebaixamento para a Série B. O nosso maior problema é a inércia intelectual, a total falta de perspectiva de um renascimento do Fluminense como força competitiva.

Pior que isso, só mesmo a iminência de um fim de linha inglório, incompatível com a história que Cox, Guinle e tantos outros construíram.

Nós temos uma responsabilidade muito grande. O Fluminense é um conjunto de valores. Aliás, um conjunto de valores que foram abandonados em nome da ganância e da insignificância de projetos pessoais.

Abandonar valores é muito grave para uma instituição que já foi considerada a mais perfeita organização esportiva do mundo. Todos nós teremos que responder pelo destino que estamos dando a essa grife, inclusive os que, como eu, pregam para as paredes há anos.

Segue o link do projeto para quem ainda não viu. O projeto não é meu, é do Fluminense. Tudo que fiz até hoje em dez anos de jornalismo e luta não pertence a mim, mas a todos vocês.

Lutem! Mas lutem com as armas certas. Enquanto é tempo, se é que há.

Saudações Tricolores!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

#credibilidade

6 Comments

  1. Parabéns Marcelo. Sempre que defendi que o sucesso dos nossos rivais também é o nosso sucesso, fui taxado de mulambo enrustido e outras ofensas. Essas mentes pequenas não conseguem entender que o sucesso de qualquer clube grande em nosso estado, beneficia a todos os rivais. Atrai o interesse para os clubes daqui, abrindo novas oportunidades. Vejo, neste momento, os rivais muito à nossa frente no que se refere a ações para sair da crise. Enquanto isso, como vc escreveu, nos preocupamos…

  2. Concordo. O que temos hoje realmente no fluminense são pessoas que não têm o senso de urgência que a situação exige.

  3. Savioli,

    Parabéns pelo projeto. Encaminhe-o ao Presidente do Flu. Fale com ele sobre o projeto do Botafogo. O Flu precisa enfrentar essa situação com grandeza e de forma definitiva. Chega de enxugar gelo!

  4. O Fluminense, de clube inovador, ficou atrelado a mesmice. Agora se fala em contratar um técnico português, tão somente porque o time da televisão o fez e está obtendo excelentes resultados, quando estes resultados decorrem mais do dinheiro, dos grandes jogadores, das arbitragens favoráveis, do ambientel favorável que filtra más notícias por conta da imprensa em geral e apenas por uma pequena parcela ao técnico.

    Mas acho que a diretoria do Fluminense pensa pequeno porque a própria torcida…

  5. Savioli,

    Parabéns pelo projeto! Encaminhe-o ao Presidente do Flu, e converse com ele sobre o projeto do Botafogo. O Flu precisa ter grandeza e buscar uma solução definitiva. Chega de enxugar gelo!

  6. Vc é o Profeta que prega no deserto; ou no vale de ossos secos; Que haja uma intervenção divina e sejamos ressuscitados como torcida e clube exemplares e Vencedores. ST.

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