Até breve, presidente Peter (por Marcus Vinicius Caldeira)

caldeira verde

Na primeira eleição do Peter, votei nulo.

E me arrependo amargamente. Eu tinha acabado de sair de um grupo político que não conseguiu se cacifar para disputar as eleições e preferiu pregar o voto nulo. Acabei mesmo de fora do grupo fazendo o voto nulo. Burrice total. Votar nulo numa eleição para presidente do seu clube mostra total incompetência para construir um projeto bom para o Fluminense. Não à toa, o grupo morreu, embora tivesse muita gente boa lá, mas a liderança… Um horror.

Dito isto, a gestão do presidente Peter foi me conquistando aos poucos.

Pegou um clube que parecia a “Belindia”, termo que alguns geógrafos gostavam de usar. De um lado a pujança financeira do patrocinador que jorrava dinheiro em salários de jogadores e com isso conseguia trazer grandes jogadores para o clube, do outro, um clube em frangalhos financeiramente, todo endividado, cheio de pendências trabalhistas, um verdadeiro caos.

Começou o trabalho de formiguinha equacionando as dívidas, recolhendo impostos (pasmem, gestão anterior não recolhia impostos), e mudando a cara da sede social. Isso já me fez olhar com outros olhos para o presidente Peter.

Quando fez a nova sala de troféus, um verdadeiro ambiente moderno e interativo do futebol tricolor, me conquistou de vez. Passei a ser um entusiasta da gestão.

Ao mesmo tempo, terceirizou o departamento de futebol à Unimed, com isso conseguimos, a terceira colocação em 2011, no Brasileirão, tendo disputado o título até a penúltima rodada, conquistar o Carioca de 2012 e o tetra campeonato brasileiro de 2012.

Era o mundo dos sonhos. Peter estruturando o clube e Unimed cuidando do futebol.

Mas a realidade é nua e crua. Unimed quebrou em 2013. Salários atrasados, premiação não paga, penhora sob a venda de Welington Nem, corpo mole de jogadores, caos no vestiário, Celso Barros ainda de chantagem e o final já sabemos.

Em 2014 a Unimed deixa de patrocinar o clube e graças ao presidente nunca ter antecipado cotas de TV conseguimos sobreviver. Peter confiou o departamento a Mário Bittencourt. No começo, não foi ruim, mas, depois o total “destrambelhamento”, excesso de vaidade e auto proclamação do ex-advogado do clube colocou tudo a perder.

Nova mudança. Partiu para o modelo tradicional. Contratar um diretor de futebol e esse mais comissão técnica decidirem as contratações. Trouxe Levir, um grande técnico e Jorge Macedo com passagens boas como gerente executivo pelo Inter. Começaram bem. Conquistaram o título da Primeira Liga e chegaram a estar entre os seis primeiros no Campeonato Brasileiro o que daria vaga para a Libertadores. Mas, as contratações de meio de ano, não vingaram, e o time parou literalmente de jogar.

Esse, o maior erro de Peter. Delegou demais no futebol, confiou demais, interviu de menos, escolheu pessoas erradas para o comando.

Ainda assim, repito, ganhou um Brasileiro, um Carioca e uma Primeira Liga. Poucos conseguiram isso.

Fora do futebol comandou o maior boom de reestruturação do clube desde a construção do estádio das Laranjeiras.

Para começar pegou Xerém para si, colocou o excelente Marcelo Teixeira ali e o fez, de fato, um CT de divisão de base, moderno e estruturado (ali era chamado de Carandiru pelos atletas e funcionários, tal estado de degradação do ambiente). Mais que estrutura, Marcelo Teixeira e Peter, criaram uma filosofia de formação nas divisões de base. Hoje temos o método Fluminense de fazer jogador, reconhecido no Brasil inteiro e que mais exporta jogador no país.

Nas finanças, diminuiu dívidas, pagou impostos em dia, pouco atrasou salários de funcionários (muito pouco mesmo, tanto que é amado por estes) e colocou o clube no ato trabalhista, no Profut e finalmente obtivemos as CNDs (certidões negativas de débitos) que nos permite captar recursos.

Não me lembro de colocar tantos quadros tricolores de arquibancada (claro, que com competências para tal) em posições remuneradas importantes no clube. Poderia citar vários nomes. Muitos saíram, alguns ficaram.

Revitalizou sob o comando de Dhaniel Cohen e Heitor D´Allincourt o Flu Memória, que faz um trabalho de resgate da história do Fluminense absolutamente espetacular. Recentemente, criou a Rádio Oficial Fluminense que está sob o comando do grande Cláudio Kote.

Junto a Xerém, e com Marcelo Teixeira, criaram o Flu Europa, um projeto sensacional que coloca um posto base do Fluminense na Europa e que futuramente trará dividendos espetaculares para o clube.

Por fim, trouxe o excelente Pedro Antônio para o clube e finalmente o Fluminense, hoje, tem um Centro de Treinamento. Aliás, um não, o Centro de Treinamento, que finalizado será um dos melhores da América Latina.

Não foi pouco o que o presidente Peter fez.

Um belo contrato com o Maracanã que além de ser bom financeiramente para o clube, tirou a torcida do Vasco do lado direito e chutou a arrogância do Eurico Miranda para escanteio.

O projeto “Tricolor em Toda Terra”, que a cada jogo fora da cidade do Rio de Janeiro faz uma ação de marketing.

No clube trocou a piscina, reformou as quadras de tênis, reformou os espaços administrativos, o poço (piscina de saltos ornamentais) e por aí vai.

Melhorou, nessa reta final, a comunicação do clube sob a batuta de Sérgio Areas (tricolor de arquibancada), com trabalho fantástico de Marcelo Vieira (outro tricolor de arquiba) e cia.

Contou também, neste segundo mandato, com o trabalho inigualável da CEO do clube Roberta Fernandes (tricolor de carteirinha) e com ajuda de todos os diretores dos Esportes Olímpicos.

Se no começo da gestão era um presidente que muitos consideravam vacilante em relação às posições para fora do clube, nos últimos dois anos se mostrou firme, duro nas posições, mostrando um crescimento como gestor e comandante político, fundamental.

Tanto que foi reeleito e elegeu o seu sucessor agora.

Não tenho dúvida: Peter sai gigante da gestão. Sai como um dos maiores presidentes da história do clube. As futuras gerações irão reconhecer isso como muitos de nós reconhecemos.

Irá curtir uma “aposentadoria” justa.

Mas, tenho certeza que deverá voltar para ajudar ao clube (em negociações, na construção do estádio, ou algo do gênero). Não se forma um quadro assim e se desperdiça depois. O Fluminense já fez muito isso por politicagem barata. Os tempos mudaram. É de união e aproveitar todos que possam contribuir com o clube.

Muito obrigado, Peter.

Bom descanso.

E até breve.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @mvinicaldeira

Imagem: mvc

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