O quanto você ama o Fluminense? (por Aloísio Senra)

Tricolores de sangue grená, de todos os credos, gêneros, raças, alturas, nacionalidades, tipos físicos e orientações sexuais, fiquei algum tempo pensando sobre o que diria aqui neste espaço desta vez. A resposta mais óbvia seria apenas comentar a partida entre CSA e Fluminense, mas diante do ocorrido nos últimos dias, acredito ser mais importante um outro tópico. O quanto, de verdade, você, que me lê, ama o Fluminense? Faça um autoexame. Ama-o o bastante para não desistir do seu plano de sócio, mesmo contrariado, com raiva, não confiando nem um pouco na diretoria que aí está, pois tem ciência de que a maneira de tirá-la de lá é no voto? Ama-o o suficiente para aguentar anos em sequência brigando para não cair, enquanto o principal rival tem um céu de brigadeiro à sua frente? Seu amor pelo Fluminense é tamanho que, mesmo se uma possível queda para a Série B vier a nos acometer, com a perda de um montante financeiro extremamente importante, que resultará na formação de mais times medíocres, você ainda estará no estádio envergando as nossas cores? Pense, pois os próximos anos serão de chumbo.

E nesses próximos anos, em que veremos o Flamengo nadar de braçada com o dinheiro da Globo, dos patrocinadores com bolso cheio da grana do BNDES a eles concedida pelo Bandeira de Mello, dos títulos que acabará conquistando por ter um plantel claramente superfaturado em relação ao nível dos demais times do Brasileirão, de acordos políticos cuja procedência ninguém sabe, mas que rende até cabine rubro-negra no Congresso, além das benesses de sempre concedidas aqui e ali pelas arbitragens quando algo começar a degringolar, sem mencionar, é claro, a cobertura midiática mais sensacionalista que nunca, buscando aumentar o quinhão de seguidores do Lúmpen que já é imenso, precisaremos dos tricolores de verdade. O tricolor de verdade não vai mudar de time na primeira “oportunidade” – e esta é uma delas. Na realidade, a torcida precisa mudar de postura. Precisa parar de criticar o projeto de restauração de Laranjeiras nas redes sociais, parar de endeusar Mário ou Celso (ou – insira um dirigente aqui –) e começar a entender que o futuro do clube depende dela. Ou nos associamos em massa, ou pereceremos. Mas esta não é a única providência.

O dado revelado no site UOL, de que a audiência desta final de Libertadores foi menor do que a da fatídica final de 2008 revela um fato muito simples: eles não têm essa força que tanto pleiteiam ter. Muita gente boicotou essa final e não a assistiu. Logo, isso mostra que eles não se garantem como a Globo quer fazer parecer, e demonstra, de forma incontestável, que a atual distribuição de cotas é uma FARSA. Muitos tricolores já boicotam os jogos do Flamengo e não os assistem, mas outros sempre dão aquela secadinha. Então, outra providência a ser tomada: não façam isso. Não ouçam nas rádios, não vejam nos sites, muito menos em canais de televisão aberta ou paga. O ideal é que todos os torcedores de todos os demais clubes sigam o mesmo procedimento, mas não tenho como levar essa ideia a eles com a mesma eficácia com que me dirijo aos tricolores. Além disso, há de se criar uma pressão para que a diretoria que aí está não antecipe mais nenhuma cota de televisão da Globo. Estamos presos até 2024 à vênus platinada, mas 2025 precisa ser o ano da virada.

Sim, vamos sofrer até lá, disputando provavelmente no máximo meio de tabela e torcendo para conseguirmos papar uma Copa Sul-Americana e, se dermos sorte, uma Copa do Brasil. Não será nada fácil, e é exatamente por isso que a torcida precisa assumir o papel de protagonismo que lhe cabe. Se não fizermos nada, não demorará até a dura realidade bater à porta e nos conformarmos em permanecer em um nível abaixo de Bahia e Athletico-PR. Tricolores, eu amo o Fluminense. Tirando a relação que tenho com a minha mãe e com meu irmão, esta é a relação de amor mais antiga que mantenho em minha vida. O torcedor de ocasião normalmente escolhe o time mais popular para torcer, e mal sabe algo sobre ele. Surfa na onda, curte o momento. Nosso torcedor não pode ter esse perfil se quisermos mudar o cenário que aí está. Ele tem que ser ativo, viver intensamente a sua paixão, não importa se estamos vivendo um momento ruim, pois a vida é assim. A menos que você construa artificialmente um Nirvana em volta de determinado clube (como está acontecendo atualmente), ele viverá altos e baixos. E, como num casamento, é no amor e na dor, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza.

É claro que não bastará só isso. Votar de forma mais consciente em 2022 e, até lá, sempre cobrar da diretoria atitudes que sejam cabíveis a quem comanda a mais perfeita instituição esportiva do mundo é fulcral. Valorizar a base, acabar com a política danosa de contratações para agradar empresários, de qualidade quase sempre duvidosa, e planejar metas de curto, médio e longo prazo, contratando de forma certeira um treinador e dando-lhe todas as ferramentas e autonomia para trabalhar, resolver os conflitos entre membros da diretoria, que não levarão a nada; estas serão as principais cobranças nos anos vindouros, e temos que exercitá-las sempre. Seria de bom tom que apoiássemos um projeto de reestruturação do Fluminense como um todo, e o único que li e achei plausível de ser tentado é o que o nosso colunista Marcelo Savioli publicou aqui no PANORAMA há algumas semanas. Vale a pena ler e divulgar. Quem sabe não chega nos olhos certos, não é?(CLIQUE AQUI)

Enquanto isso não acontece, vamos brigando no Brasileirão. Nesta segunda-feira, fomos a Alagoas encarar o CSA precisando desesperadamente vencer. Num jogo marcado por baixo nível técnico, campo em péssimas condições, gols perdidos a balde, o Flu conseguiu vencer finalmente, com um gol de cabeça de Yony González. A partida foi um sofrimento só; levamos uma pressão desnecessária do CSA após abrirmos o placar, e mais uma vez as presenças de Gilberto (titular) e Nenê (reserva, que entrou no meio do segundo tempo) nos causaram calafrios. Todavia, desta vez o pior não aconteceu e conseguimos arrematar os três pontos. Vamos agora encarar o Palmeiras, que já não almeja praticamente nada no campeonato, no Maracanã nesta quinta-feira. Eu estarei lá, e espero que todos os meus leitores também. Vamos atrás de uma vitória que muitos consideram improvável e, no domingo, contra o Avaí, chutaremos pra escanteio essa história de rebaixamento. Mas isso é papo pra outra coluna. Estamos a um ponto do Botafogo. Vamos tirar a vaga para a Sula deles. Sigamos!

Curtas:

– Marcão adquiriu do Diniz a preferência pela saída com toque de bola e do Abel a insistência com os jogadores de sua “confiança”. Torçamos muito para que essa teimosia não nos prejudique no fim das contas.

– Marcão, não se curte postagem de qualquer coisa a respeito do maior rival do clube que você treina, principalmente num momento como esse. Mário, não se fala em reconstrução do Fluminense em doze anos sendo que a sua gestão só durará mais três. Celso, não se joga merda no ventilador antes do fim de um campeonato no qual ainda corremos risco de queda. Vamos parar de dar munição de graça para os nossos detratores e irritar a torcida, sim?

– Guia do secador: 35ª rodada – Chapecoense x Botafogo (Chape); Bahia x Atlético-MG (Bahia); Flamengo x Ceará (derrota do Ceará); Fortaleza x Santos (Santos); Cruzeiro x CSA (CSA); 36ª rodada – jogos do sábado – Ceará x Athletico (Athletico); Botafogo x Internacional (Inter).

– Palpite para o próximo jogo: Fluminense 1 x 0 Palmeiras.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

#credibilidade

2 Comments

  1. O meu filho tinha 06 anos em 2009 e esperava, ansioso, pelo quadro “Fred o agente da missão Impossível, possível, bem possível, provável e cumprida”. Vê-lo, tão criança, chorando de emoção pelo Fluminense, deu-me a certeza que ele seria, eternamente, herdeiro do ri e chora, como dizia o saudoso Mário Lago.

  2. Querida Vera,

    Bom ver você novamente por aqui. Eu também acompanhava esse quadro todo domingo e foi maravilhoso ver o seu desfecho. Vamos ressuscitar o verdadeiro amor ao Tricolor.

    ST.

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