Amanhã! (por Paulo-Roberto Andel)

tozim

Depois de dias conturbados, um momento para respirar e sonhar.

O mau momento do Flu, o desgaste por conta do muda-torcida, a impaciência, as cobranças, tudo isso vai ficar de lado por alguns instantes quando amanhã chegar. Mesmo o mar de sandices navegado por pessoas como Eurico e Roberto eu quero longe por ora. Eurico foi Eurico, não se esperava outra coisa, mas Roberto parece disposto a cada dia a sepultar seu brilhante passado de glórias como ídolo dos gramados, em atitudes que cada vez mais transitam entre o patético e o non-sense. Disso, meus amigos do PANORAMA já falaram bem.

Não que estejamos em amor aéreo, do genial Cacaso. Há problemas, estamos mal, precisamos de recuperação, uma derrota põe Abel na guilhotina, nenhum outro nome resolve ou empolga. É um clássico. Um grande clássico, mesmo que o Vasco não esteja bem das pernas – e não está mesmo. Mas é nossa eterna mosca na sopa, mais ou menos o que somos para a Gávea (guardados Assis e Renato Gaúcho, que valem três continentes).

Três anos depois, o Maracanã voltou. Outro Maracanã, muito diferente, que esperamos ver sem assepsia econômica no futuro. É outro cenário. Deixamos de ser filhos queridos em casa para sermos os donos do pedaço literalmente falando em termos contratuais – e isso é que alguns cruzmaltinos não entenderam: a memória afetiva ainda tem o Maracanã como de “todo mundo”. São Januário não é, o Engenhão não é, o velho Mário Filho não é. Agora tem sócio, dono. Mas vai ser bom voltar, nesta estranha sensação de se começar um outro momento num lugar que é, ao mesmo tempo, tão alheio e familiar. Surrealismo, sonho e realidade andando de mãos dadas, em trio.

Quis o destino que a nossa volta e o primeiro jogo entre as grandes bandeiras do Rio fossem justamente em 21 de julho. O nosso aniversário: 111 anos.

Num país em que poucos se lembram do último candidato em que votaram, alguma coisa atravessar a barreira do século é façanha digna do Olimpo – e o Fluminense tem a vocação para desafiar definições sem pagar nada a ninguém a respeito de qualquer dívida infundada. Pelo contrário: nestes três anos sem nosso habitat natural de concreto, abiscoitamos dois títulos nacionais e um carioca sem precisar reclamar de lado de arquibancada alguma. Penamos mas conquistamos. Estamos aí, mesmo contra a secular campanha de parte das redações e estúdios contra as nossas cores.

A Libertadores é a tal obsessão que precisa ser controlada: feito isso, tudo correrá bem. Vamos trabalhar. Que tal uma mudança no esquema tático, Abel? Pode ser o mesmo do ano passado – pelo menos vencíamos e os reclamões aplaudiram no final. Ah, a zaga, zaga: inspira cuidados. Mas alguém tem dúvidas de que Fred e Cavalieri brilharão no segundo semestre? E Deco não pode dar o canto do cisne de sua maravilhosa carreira? Em futebol as coisas mudam num estalar de dedos.

O que está em jogo neste domingo é bem mais do que a simples vitória num clássico – com o perdão do ato falho, pois nenhum clássico é apenas simples. Em campo estarão a volta para uma casa muito diferente do que já foi um dia, a manutenção da comissão técnica, a tentativa de se alçar voo para novembro e dezembro, o sonho da volta à América – ah, obsessão! -, o primeiro passo para reconduzir as coisas aos seus devidos lugares e dias de paz nas Laranjeiras aka Urca.

Portanto, um monte de desafios. O fio da navalha em êxtase. Viver intensamente é enfrentar intempéries e subverte-las. O melhor do mundo está nas subversões e não nas convenções.

Podia ter cenário mais absolutamente Fluminense do que este para um aniversário?

Não.

E as nossas cores? Nossas mulheres lindas? O cenário que só nós sabemos fazer no principal palco de futebol do Brasil.

Nós merecíamos isso.

Voltamos para ficar.

Como vai ser bom ver o futebol do Rio no coração do Rio outra vez!

Como vai ser bom gritar “Nense” no Maracanã outra vez!

Tentar rever na memória aquele tiro do Aílton, a cobrança do Edinho, os pulinhos do Assis. O time inteiro abraçando Paulo Goulart. Ou Adriano Magrão. Ou Fred.

Os céticos vão dizer que é tudo bobagem, o que importa é vencer. E claro que vencer é muito importante sempre. Mas a diferença de agora é que vamos reviver sonhos bons. O mundo não é dos céticos, é dos vibrantes. Céticos são apenas céticos, portanto rasos – não enxergam nada além das grandes polegadas. É preciso ver ao longe, com olhos de águia e não com a vista flácida, esmaecida. O Fluminense está mal e precisa de muitos cuidados, só um idiota não perceberia isso. Agora, mais idiota ainda é quem sonega a nossa história de superações – e por isso Ronald, Rogerinho e outros nomes posaram na nossa galeria de heróis campeões. Do mal para o bem, temos vivido mais de um século.

Um dia, tive medo de nunca mais poder entrar no Maracanã e chorei.

Amanhã eu vou chorar muito porque meu medo foi derrotado. Vivi para voltar ao estádio num dia tão especial.

É que o velho Fluminense estará lá outra vez. Haja o que houver.

E que haja uma vitória de trazer o branco da paz e das grandes celebrações. Que seja Washington por cobertura ou driblando Acácio cem vezes. Ou Magno Alves bailando na chuva. Beto no finalzinho. Tartá também. Leonardo em 1995?

Ninguém faz 111 anos impunemente.

Amanhã vai ser um lindo dia. Vou pensar numa mulher linda. Vou encontrar meu amor de volta em minha casa desde a infância.

Ave Flu.

“Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima” (Paulo Vanzolini)

Paulo-Roberto Andel

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: abril.com.br

6 Comments

  1. Venham com antijogo ou com todas as forças, temos que ganhar!
    É FLUMINENSE!!!!
    SSTT4!!!!

  2. QUE NESTE DOMINGO O NOSSO FLUZÃO ACORDE NO CAMPEONATO E MOSTRE QUEM É O VERDADEIRO TETRA CAMPEÃO NACIONAL E NOS ORGULHE AINDA MAIS COM UM ESPETÁCULO DE GARRA DENTRO DE CAMPO

    ST

    BOA SORTE GUERREIROS

  3. Mais uma vez brilhante meu caro, nada vai nos impedir amanhã, apesar dos erros de 2013, o placar será 3 x 1 para nós!!!!

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