Por favor, Abel… (por Aloísio Senra)

Tricolores de sangue grená, nosso querido Abel Carlos da Silva Braga funciona mais ou menos como as crianças de seis e sete anos para as quais leciono no Ensino Fundamental. Se começam a se comportar bem, começam a realizar suas tarefas, começam a respeitar seus colegas, nós acabamos elogiando esta mudança de postura, para estimulá-las a replicar essa atitude e não voltarem ao estado anterior. Mas muitas delas simplesmente se sentem tão satisfeitas com o elogio que acreditam que ele seja um salvo-conduto para que elas voltem a fazer o que lhes der na telha. Assim é o nosso treinador. Logo, “não pode elogiar…” – Abel é o tipo de pessoa que adora ouvir uma corneta, principalmente se ela estiver tocando uma canção afinada. Não lida muito bem com o silêncio, com a tranquilidade, com a paz de um trabalho bem realizado. E daí que podemos chegar à vice-liderança do campeonato? Eu quero é emoção!

Emoção, no dicionário do nosso treinador, significa “fazer asneira e deixar o torcedor puto”. Tudo bem que o coleguinha da frente, Abad, não ajuda muito. Prometeu mundos e fundos pro Abelão e não cumpriu, tem histórico de ser antipático e fazer todo o tipo de merda, principalmente envolvendo a economia da família. Mas… precisava entrar com uma formação ridícula daquelas contra a porra do lanterna da competição? Precisava deixar o time jogar tão mal que só foi esboçar uma reação quando a vaca foi pro brejo? Por que razão a formação que terminou o jogo contra o time paranaense não poderia ter iniciado o certame? Mesmo com muitos desfalques, o mínimo que se esperava é que o Fluminense partisse pra dentro do Paraná Clube, rumo aos 17 pontos, rumo à vitória. Mas não. Conseguimos a façanha de perder para uma equipe que não tinha uma vitória sequer no campeonato.

Alguns ainda aliviaram, deram um desconto. Muitos desfalques, jogadores poupados. Porém, perder para o Paraná nos obrigava a vencer o Flamengo. Logo, veríamos um Fluminense full power, ofensivo toda vida, para superar a fraca defesa rubro-negra com Pablos Dyegos e Matheus Alessandros da vida, certo? Não. Em vez disso, um 3-6-1 patético, e João Carlos, Marlon e Robinho. Colocar esses jogadores em campo jogo sim, outro também, é o equivalente a arremessar uma bolinha de papel nos demais colegas durante a aula inteira, em todas as aulas. Não é só falta de opção não, é pra irritar. É a única explicação plausível. Eu entendi a estratégia contra o Grêmio, mas contra o Flamengo não dá. Jogando de forma covarde, o que poderia esperar além de uma derrota? Claro, tivemos a arbitragem apitando a favor do Lúmpen, como sempre, mas não dava para esperar resultado melhor, não.

Para coroar o mau comportamento do nosso rechonchudo treinador, ele ainda me tira o Sornoza no intervalo. O único meia deixa o time, no momento em que ele começa a colocar atacantes. Ele estava mal, mas será que não bastava um esporro bem dado? A situação de não ter meias é tão bizarra que ele não teve reposição. Como ganhar o jogo assim? A ideia, segundo o próprio Abel, era ir para o intervalo com 0 a 0. Que porra é essa, cara? A ideia tinha que ser ir pro intervalo com 3 a 0 a favor! A cada segundo que passa, o Fluminense é apequenado cada vez mais. Cara, que perdesse o jogo por 10 a 0, mas que entrasse com vontade de ganhar de goleada. É isso que eu e todos os tricolores queremos ver. Não, Abel Braga, não dá pra aturar calado esse seu discurso mole! Se for pra levar o resto do campeonato com a barriga, certamente não precisamos de alguém ganhando as cifras que você ganha.

Marlon, João Carlos e Robinho estão no elenco, estão jogando, e a culpa é sua! A culpa é sua por não ter exigido que o Mascarenhas fosse mantido no elenco, é sua por ter pedido o João Carlos – negociação intermediada pelo seu filho, e é sua por esse bonde do Robinho não ter sido emprestado para algum outro time! Cadê o restante da base do Fluminense? Será que não tem ninguém pra trazer do sub-20? Ninguém pra trazer do Samorín? Cadê a captação do Fluminense? Já falei nessa coluna sobre a questão dos meias e como resolvê-las, mas ninguém se mexe e você aceita! Aceita e protege esses merdas. Porra, Abel, você não é terapeuta, cacete! Vai esperar a vaca ir pro brejo pra começar a botar ordem na casa? Vai esperar o time ficar de recuperação, com risco de reprovação no fim do ano, pra resolver estudar pras provas?

Agora, ainda com 14 pontos, o Fluminense caiu para a décima posição. Bizarramente, está ainda a três pontos do G4, que é o que almejamos minimamente. Porém, está a cinco pontos da zona de rebaixamento. Neste domingo pegamos o Atlético-MG no Horto. Eles estavam mal, mas se recuperaram com uma vitória sobre o América-MG e passaram à nossa frente. Depois, na quarta-feira, enfrentamos o Santos no Maracanã. Não há meio termo: teremos que jogar pelos seis pontos. São as duas últimas rodadas antes da parada para a Copa, e precisamos recuperar os pontos perdidos, principalmente os três que deixamos contra o Paraná. Terminar a 12ª rodada com 20 pontos nos deixará com grandes chances de frequentar o G4 e, recuperando o grupo durante a pausa no Brasileiro, ter alguma perspectiva de melhora e de recuperação do bom futebol que chegamos a apresentar. Ao ataque, Fluzão!

– Curtas:

– É claro que eu sei que o elenco é curto e fraco, mas temos que colocar os pingos nos “is”. Quem faz as escolhas é o treinador, e se os jogadores escolhidos não estão correspondendo, que se busquem alternativas, seja na base, no Samorín, ou por empréstimo imediato junto a outro clube. O que não pode é aceitar que as peças de reposição são ruins e ficar por isso mesmo. Isso eu nunca aceitarei.

– Já sabemos o próximo adversário do Fluminense na Copa Sul-Americana. Trata-se do Defensor do Uruguai. Ufa, escapamos da altitude. O Defensor está mal das pernas no Campeonato Uruguaio. Ocupa a sexta colocação de seu grupo (que tem sete clubes) e, em seis partidas, venceu duas e perdeu quatro. Seu estádio é acanhado, não devendo muito ao estádio do Olaria ou do Campo Grande. A primeira partida é no Maracanã, e decidimos lá, no Estádio Luis Franzini. Temos que jogar para marcar muitos gols, preferencialmente sem três zagueiros ou três volantes. A Copa Sul-Americana ainda é nossa grande chance de título e dinheiro nesse ano e não podemos jogá-la fora como fizemos ano passado.

– Descomplica, vai se foder.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

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