Abel derrotou o Fluminense (por Crys Bruno)

Oi, pessoal.

Por mais que eu tente – e tenho tentado desde domingo -, não consigo entender o que leva um treinador, depois de conseguir encaixar um time, dar corpo e forma, modificar a proposta de jogo, o posicionamento tão elogiado e já temido “para surpreender o adversário”?

Por mais que eu tente, não consigo entender por que Abel fez isso… Já esperava e temia. Escrevi a respeito há duas semanas. Era hora de disputar taça. Hora da verdade. Abel “abelaria”?

Contra o Liverpool, pela Sul-Americana, precisava fazer o resultado e partiu para cima. Contra o Vasco, não, mas partiu para cima, porque tem um time que lhe proporciona isso: meio-campo de toque e controle de bola e agilidade, ao lado de dois atacantes jogando muita bola: Wellington e Richarlison.

Elogiei. Ele não me decepcionou. Mas elogiar treinador brasileiro é mesmo quase suicídio: são inconstantes, inseguros e inventores. Abel “abelou”. Sua maquiagem de treinador reciclado desmanchou de forma patética.

Infelizmente, Abel foi o Abelão e transformou receio em “estratégia”. Tranformou “estratégia” em protagonismo. Transformou o seu protagonismo fazendo o melhor trio ofensivo do campeonato, Sornoza, Wellington e Richarlison em marcadores de Arão, Pará e Trauco…

Mesmo após o Fla x Flu da TG, mesmo com seu time elogiado e temido pelo adversário que chegava no jogo pressionado por derrota na Libertadores, Abel temeu o Flamengo e a derrota. E quem teme no futebol já entra em campo derrotado. Essa derrota não teve mérito nenhum deles. Se fosse um time um pouco melhor tecnicamente, especialmente, no ataque, liquidaria a fatura, o campeonato, nos goleando.

Abel inventou porque temeu o Flamengo. Mudou o estilo de jogo com os garotos que nunca, esse ano, jogaram assim: uma linha de quatro com Orejuela entre outra linha de quatro: nove jogadores atrás da linha da bola, atraindo o Flamengo.

O adversário então esteve livre e com tempo para respirar sua saída de bola, nos engolindo no primeiro tempo inteiro, ganhando todas as segundas bolas: óbvio. Porque quando recuperávamos, o time já não estava posicionado como antes, e sim, grudado ali com o adversário em nosso campo defensivo, e tendo uma só válvula de escape: Henrique Dourado, em vez do meia-ofensivo ou um dos atacantes de lado de campo.

Abel fez tudo o que o Flamengo queria. E a única maneira que rubro-negro teria para segurar nossa velocidade e tramas ofensivas. Sem comentários.

Para piorar, quando no segundo tempo o adversário recuou e começamos a trocar passes, impondo nosso jogo, Abel me tira os atacantes mais perigosos, que furam retrancas, os atacantes do lado de campo, que seguram os laterais adversários na defesa, para colocar outro centroavante, deixando em campo Henrique Dourado.

Um show de horror, um show de erros do Abel que “abelou” como nos péssimos velhos tempos.

Mas vou lhe dar um voto de confiança, esperando que ele volte a confiar no time dele e, mesmo perdendo o título, o perca jogando como time grande, apostando na qualidade do time, agredindo o adversário, que só é “o melhor time do Brasil” porque a TV que investe milhões precisa que se acredite nisso pela audiência. Fosse o Flamengo um time um pouco melhor tecnicamente e fecharia nosso caixão. Mas não é. Fomos derrotados pelos erros do Abel.

Que domingo que vem, querido comandante de toda torcida tricolor, seja sua redenção. Um time com alma mas sem coragem é um time medroso e perdedor. Que o jogo de domingo lhe sirva de lição para retornar a mesma postura, filosofia e ousadia que você deu ao time e o fez chegar à final com elogios.

Refaça a maquiagem do “Abel reciclado”, ousado, destemido para ser campeão com autoridade e “maravilhado”. Não atrapalhe mais minha molecada: é o Rômulo que tem que correr e se preocupar com Sornoza; são Pará e Trauco que não podem pensar em atacar porque nas costas estarão Wellington e Richarlison. Não o contrário, meu caro Abel.

O título, que você também merece, ainda está logo ali porque o comum time do Flamengo não fez dois, três gols, como o seu faria, como o seu fez no próprio Flamengo, Vasco e Botafogo. Não trema. Não tema. Refaça a maquiagem de reciclado e, novamente destemido, confie no seu time, que é melhor.

Ao ataque, Abel! Porque tanto na vida quanto no futebol, a covardia não faz um campeão ou quando faz, esse será um campeão desprovido de dignidade. Isto não é o Fluminense. Ao ataque, com brio e gana, Abel!

Toques Rápidos:

– Preciso elogiar duas defesas maravilhosas do Cavalieri, principalmente, uma no chute do Guerrero. O 2 a 0 seria o fim. Na saída aérea, ele continua hesitante, mas preciso agradecer a ele, ao Gravatinha e a João de Deus pela ruindade do adversário ter ajudado o jogo terminar só 1 a 0 e, com isso, termos chances de reverter…

– Além da falta de qualidade de jogadores como Berrio e Mancuello para a finalização, também agradeço as atuações defensivas de Orejuela e Henrique, que marcaram por 500. Wendel também salvou. Mais ágil que Douglas, titularíssimo.

– Falando nisso, se alguém souber me explicaria uma coisa? Tirar Wendel para colocar Douglas foi para o que mesmo?…

– Recuso-me a falar do Renato Chaves. Mas lembre-se que o técnico tirou Wendel, Richarlison e Wellington do time, colocou Marcos Jr, Douglas e outro centroavante, deixando em campo Henrique Dourado e o Renato Chaves. Está bom ou quer mais?

– Por fim, mas não menos importante: aos responsáveis dos treinos de bola parada, por favor, separem meu príncipe de Manabí, Sornoza, do Marquinho, porque a ruindade está pegando e já não me basta vê-lo de volante, longe da área de criação e do gol adversário, ainda vê-lo batendo falta na barreira à la camisa 7 é de infartar!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @CrysBrunoFlu

Imagem: brc

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