A virtude que nos falta (por Walace Cestari)

faixa torcida ídolos do flu

Voltei há pouco de longas e merecidas férias. Isso me fez ficar longe da pré-temporada e do início de nossas competições. Como um desavisado qualquer, acompanhei as vitórias sobre o Tigres e Cruzeiro. Olhando somente esses jogos, tudo alvissareiro.

Entretanto, busquei algumas atualizações tanto aqui no PANORAMA, quanto revendo alguns tapes (ainda se usa isso?) dos jogos. Há uma preocupação no ar e parece que ela se justifica em parte.

O elenco do Flu para o ano parece-me mais equilibrado. Muitos gols feitos mostram um ataque poderoso e bem municiado por um meio de campo mais maduro e com qualidade. Por outro lado, a chuva de gols sofridos mostram que a defesa precisa bem mais que a simples troca de peças.

As apresentações do ano, em geral, foram modorrentas, um ‘revival’ dos milionários preguiçosos, ainda que tenhamos menos milionários. Falta de comprometimento? Acomodação burocrática? Sobram perguntas e dúvidas, além da tradicional cornetagem.

Tudo isso em um contexto em que Abel Braga está sem clube. Sempre lembrado pelos tricolores, o treinador é o melhor técnico que o Fluminense já teve quando não está no Fluminense. Quando sentado em nosso banco, é tão cornetado quanto qualquer outro. Mais um filme que não sai de cartaz em Laranjeiras. Um oferecimento da bipolar torcida tricolor.

Claro que tudo isso é motivado pelo fato de que Eduardo Baptista não é uma sumidade. O problema é que, hoje, ninguém. Ou quase ninguém. Tite é o único treinador brasileiro que tem algo a mais para oferecer; está anos-luz à frente dos outros. Depois dele, todos mais ou menos se equivalem. O próprio Muricy, de nosso rival, passou um ano sabático e agora vai precisar provar que é diferente da média.

Cornetar o treinador é esporte para nossa torcida. Trocá-lo resolveria muito pouco. Abelão pode ser um pouco melhor, mas tem igual prazo de validade junto às vozes da arquibancada. O país passa por uma entressafra enorme quando o assunto é treinador. Muita gente nova entrando em cena. Vai levar algum tempo para que alguns se firmem e demonstrem seu valor. Por enquanto, há pouca certeza e muita aposta.

O importante, parece-me, é que temos um elenco equilibrado, com nomes melhores que aqueles da temporada passada. Com certa dose de sorte (sem ela, não há também trabalho que resista), poderemos encontrar um encaixe para a equipe. Talvez ainda faltem algumas peças ou confiança para alguns garotos, mas o caminho parece ser menos tenebroso que os resultados iniciais demonstram.

Não adianta passarmos o tempo todo afirmando que o Carioquinha nada vale, se qualquer mau resultado cria crise no time. Importam-nos o Brasileiro e a Copa do Brasil. E o time deve encorpar para essas disputas. A Primeira Liga faz parte de uma importante afirmação política e tem, assim, menor importância esportiva pela conquista de um título.

O começo do ano é tempo de paciência. E é isso que eu defendo. Ainda que diante de maus resultados. Se Eduardo Baptista não é o nome forte para conduzir o Fluminense, não enxergo talento tão maior nas várias opções existentes por aí. Há de acertar. Caso não se acerte, não parece que será desastroso. Defender o planejamento é também defender que troquemos menos de técnico. Salvo a hipótese de um Mourinho resolver desbravar terras brasileiras, não há vantagem evidente na troca de treinadores.

Assim, esperemos. Ritmo para alguns; condição física para outros; experiência para os mais novos; conjunto para todos. Alcançado o entrosamento – isso depende de um ambiente sem conturbações – acredito que teremos resultados interessantes. É ver para crer. Com um pouco de paciência por favor.

Acho que as férias me trouxeram bem mais calmo… Pelo menos por enquanto.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: pra

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