A tempestade… (por Paulo-Roberto Andel)

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…e o simples

Em seis ou sete meses, o grande tetracampeão brasileiro transformou-se num mero décimo-quarto lugar. Na dinâmica do futebol, meia temporada equivale a um ano-luz. Sete pontos atrás do líder, a seis do cobiçado G4, a três do sétimo lugar. Apenas dois pontos fora da zona de rebaixamento. Uau, quantas possibilidades! Todas em meio à tempestade.

Contudo, é claro que seria uma precipitação enorme, para não dizer empírica, determinar qual o caminho do Fluminense para fechar o ano de 2013 na principal competição nacional.

O fato de atravessarmos um péssimo momento não quer dizer que ele não possa ser superado. Ha turbulências, a cabeça de Abel rola no Maracanã como se estivesse em “Pelas tabelas” de Chico Buarque, não há dinheiro, ninguém se empolgou com a contratação do atacante Marcelinho. Bom, ao menos Cavalieri mostrou que a sequência de falhas foi a vírgula numa crônica – foi o melhor em campo contra o Vasco.

Nosso adversário de amanhã, o Grêmio, tem seis posições à frente na tabela, mas apenas três pontos de vantagem sobre nós. Bom lembrar: poderíamos tê-los vencido na Libertadores, não fosse a gatunagem do árbitro. Agora é outro momento, eles também não andam lá muito bem das pernas.

Difícil por ora é saber o que se pode fazer para recuperar o futebol de um time que voou baixo há seis meses e hoje não levanta o popô da poltrona. Mas será que é tempestade mesmo ou algo simples de fazer? Inventar o ovo de Colombo ou apenas um poema barato?

Cabendo algumas dicas simplórias dentro da minha modestíssima opinião – e é mesmo! -, aqui vão:

1) Assim como na escolha de um time para uma pelada de rua, onde você seleciona de cara o melhor dos jogadores disponíveis, na hora de uma substituição onde há cinco ou seis jogadores em mau momento, a prioridade da sacada não pode ser a de quem tem mais recursos técnicos; o craque, mesmo mal, pode salvar uma partida num lance ocasional – o pereba, não;

2) Se o seu time joga com um lateral-direito que não cruza, não avança e geralmente toca a bola para o lado, é melhor deixá-lo como um defensor exclusivo e focar os ataques do outro lado, até por falta de opção;

3) Quando um zagueiro notadamente tem dificuldade de controle de bola, ele jamais deve tentar um drible para dentro do campo, e sim para as laterais;

4) Definitivamente, não adianta armar jogadas de ataque com um corredor sem capacitação técnica – que tal a turma correr ao lado e quem sabe jogar distribuir o jogo? Mesmo que seja um craque em fim de carreira ou até dois. Quem tem que correr é a bola. Ou quem tem menos intimidade com ela.

Não inventei nada disso.

Colei tudo de meu treinador Jorjão: eu tinha dez anos e jogava no time do Copacabana, que tinha camisa vermelha e números pretos – argh!

Quando não era na areia, jogávamos na rua Tenreiro Aranha – a popular “vila” – onde ficava minha escola primária. Tínhamos um bandeirão. Fernando Guilhon, meu companheiro de time, é meu amigo até hoje. Depois, continuei na praia por inúmeros motivos.

Acabaram com a vila, era preciso construir a modernidade do metrô. Quanto ao futebol, aí está do jeito que não me deixa mentir. Tão simples quanto tirar seis ou sete pontos de diferença em noventa. Mais simples do que parece.

Agora, trabalhar é preciso.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

Imagem: Legião Urbana, “A tempestade”, 1996, EMI

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2 Comments

  1. A simplicidade é a coisa mais difícil de se alcançar em qualquer atividade humana.

    Sensacional o texto. Como sempre.

    Amplexos,

  2. Como um time que enfrenta outro q esta caindo pelas tabelas , fraco , fracote , fraquíssimo , fraquérrimo , como o CRVasco da Gama , que tem como destaque um jogador de 38 anos , que estava barrado nos EEUU, que volta sem estar jogando por um bom período , chega , entra, assumi o local que se mais exige de um atleta , meia cancha , por falta de opção de um treinador que assumiu recentemente , e como se não bastasse é forçado a escalar um garotinho na zaga, Jomar, que cava a expulsão do nosso inexperiente “garotinho FRED”, e como vc ressaltou, Cavaliere apareceu com destaque, somos catastróficamente e vergonhosamente derrotados, não é uma tempestade qualquer , chega a estar bem próximo de um tsunami , meu caro amigo .
    O FLU tem que tomar atitude, o treinador tem que ter atitude , os atletas são obrigados a tomarem atitude , caso contrário o barco vai sucumbir . Blá blá blá do time do treinador do gerente executivo não resolve , tem que terem ATITUDES . st .

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