A pasmaceira do ataque em Macaé (por Paulo-Roberto Andel)

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Falam muito de Renato, com todo direito no tal estado democrático. Seria justo reconhecer seus momentos de ousadia, caso de ontem no jogo contra a Cabofriense no simpático estádio de Macaé. Dando certo ou não. Aliás, não deu. Não por culpa dele, mas pela pasmaceira do ataque, colecionando más conclusões.

O craque à beira do campo de “boleiro” – alguém representa melhor o estilo blazer-sóbrio-professor do que Vanderlei Luxemburgo, que não deu certo por aqui? Bobagens de um país que aplaude qualquer idiota por usar termo, agir de forma arrogante, apresentar-se como “bem sucedido” ou usar de verborragia oca para ofender alguém gratuitamente, mostrando-se “inteligente” (na verdade, um imbecil). Não fomos nada bem em Macaé, principalmente no ataque, mas não foi falta dos berros de Renato o tempo inteiro. O eterno ídolo não é o rei dos esquemas, mas não fica longe de nada que se vê por aí com pompa e empáfia.

Sem Valencia, suspenso, o treinador mandou Biro-Biro ao jogo. Dos pés do garoto saíram as mais perigosas jogadas de cara, um chute por cima, outro defendido pelo nosso ex-goleiro Luís Cetin, outro para fora pela direita – beliscando a trave, tudo nos primeiros vinte e poucos minutos. Sobis também, chutando de fora da área.

Natural que as coisas melhorassem (um pouco) tendo um jogador de arranque na frente. Com Valencia voltando bem e Biro mantido futuramente, melhor ainda. O garoto Ailton na esquerda, substituindo Carlinhos do jeito que pôde – e o chutão por cima, longe demais das capitais.

O Cabofriense começou a se adiantar aos poucos depois da meia hora, o Flu com o eterno problema do penúltimo passe. Na primeira boa bola que recebeu, Fred quase marcou de cabeça na bela defesa de Cetin. Veio então uma pequena blitz tricolor, sem as devidas finalizações e o fim do primeiro tempo com bons momentos de velocidade, mas chocho pelo conjunto da obra.

O grande artista Enrico Bianco dizia que a única coisa importante no homem era a contradição. Se Renato pensou em algo parecido, deixou a vanguarda e voltou às soluções conservadoras para o segundo tempo: Aílton, amarelado, fora e Chiquinho dentro. Foi melhor assim.

Biro-Biro perdeu outro gol. Cavalieri fez sua primeira defesa na partida e, logo depois, recebeu um chute perigoso. O Flu voltou morno mas conseguiu bater escanteios e pressionar. E Fred, livre, perdeu um gol incrível de cabeça na pequena área.

Quem não faz, leva. Bola da esquerda na área, Tijolo de cabeca fez 1 x 0 para o time de Cabo Frio aos 13. Na réplica, outra perda: Fred, outra cabeçada.

Tinha jeito? Walter e, depois, Wagner. Sem boas alternativas de mudança e com a eterna falta de ligação, nenhuma mudança aconteceria com efeito útil. Completo retrocesso em relação às sete vitórias. Um chutão para fora. Nada mais.

O final? Vaias, pedidos de raça, impaciência. Fred perdendo mais gols. Isso? Nem tanto. Futebol é surpresa e imprevisibilidade. O artilheiro recebeu passe cruzado de Walter, bateu dois zagueiros e fuzilou à direita de Cetin, empatando o jogo num belo gol e se consagrando de vez no Olimpo dos artilheiros tricolores da história – tremenda ironia com o panorama da partida. Em seguida, Diguinho acertou um chutaço raro, o goleiro voou e impediu a virada, que seria até injusta – não pelos gols perdidos pelo Flu, muitos, mas pelo conjunto da obra e as circunstâncias do meio para o fim do jogo.

O 1 x 1 pode ter acalmado a ira dos nossos torcedores, mas ficou bem longe do Flu que todos desejamos. Bem longe. Agora é torcer para que as duas últimas partidas tenham sido os pontos fora da curva. Quem quer brigar pelo título não pode ser tão irregular e finalizar tão mal.

Até aqui não falei de Jean. É desnecessário. Bruno? Você decide. Palavrões, talvez.

Hora de carnaval, sonhos e recuperação. Nem luxo, nem lixo, mas a paciência não é infinita, nem o que é passível de correção precisa ter ares de imprestável.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

Imagem: PRA/ FFC