A (in)sustentável leveza do poder (por Luiz Alberto Couceiro)

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Enquanto não ficar estabelecida a fronteira entre o que é público e privado, nos clubes de futebol, no Brasil, muitas das crises dos clubes dificilmente serão compreendidas pelos torcedores. Times que “não jogam bem da noite para o dia”, salários estratosféricos que atrasam e fazem pessoas afetivamente ignorantes darem “piti” e não trabalharem direito, mas que ninguém pensou nisso antes de assinar contrato algum, lobbies para venda de jogadores – por eles mesmos, ao não se exporem a certas jogadas, e de técnicos com caixinhas para os escalarem –, critérios pra lá de obscuros de dispensa, compra e venda de atletas (com o perdão da heresia), são alguns dos temas mais espinhosos da caixa-preta das administrações dessas agremiações futebolísticas que ninguém sabe onde caiu.

Poxa vida! Um mês de salário de alguém como Jean, ou Edinho, nem chega perto de dois anos de vencimentos de pessoas mais bem preparadas em áreas de atuação que dão retorno imediato à sociedade – da mais localizada até a mais ampla. São pessoas que se comportam de forma egoísta, bajulados pelos “sanguessugas” de última hora, parentes e amigos das mais variadas espécies de adoradores de dinheiro e fama fáceis. Somente alguém tão inseguro precisa de elogios baratos daqueles que fazem parte de seu staff de “puxa-sacos”, para se manter de pé. Ao menos a relação entre essas pessoas é sincera: paga-se de um lado, elogia-se por outro.

Somente pessoas dessa linha afetiva, forma de conduta, digamos, levianamente, mas adequada para esse tipo de texto, dentre tantos outros elementos que não me cabem aqui mencionar, pagam uísques, putas e putos, promovendo festinhas de louvação ao sucesso no mundo das armações e das incompetências administrativas aos seus supostos admiradores. E a cada mudança de clube, lá vão as fratrias atrás de seus líderes – o que consegue a grana e a fama.

Esse séquito de emergentes da vigarice, porque vivem de enganar os torcedores alijados de qualquer tipo de participação nesse mundo público privatizado como grandes lavanderias verdes, não sentem o menor pingo de constrangimento em fazer-nos de reféns de seu comportamento hipócrita. Quer dizer, pensam que enganam os torcedores que percebem, e isso é o que mais irrita, aposto, os que são péssimos profissionais nos mais diversos sentidos. Só têm compromisso com a mesquinharia dos seus salários e participações em eventos os mais diversos. Penso que, depois de certa idade, é enganado por gente tão limitada e de métodos tão toscos de discursividade quem não quer ver o que está acontecendo. É autoengano na veia!

Fazem um teatrinho de desculpas canalhas as mais esfarrapadas, porque de seu trabalho propõem-se, há alguns anos, a mentir sobre o que de fato ocorre dentro dos clubes, dos vestiários e do “mundo empresarial do mercado da bola”. São tão covardes que contratam assessores de tudo e mais um pouco que escrevem declarações robotizadas para que decorem e publiquem.

Na realidade, são eles reféns de algo que, para a maior parte deles, durará até meados dos seus 30 anos de idade. Depois, com algumas exceções, caem no ostracismo e vivem de bicos em programas de suposta ajuda às pessoas com menores condições objetivas de vida, de participações risíveis em Domingões do Faustão e Gugus da vida, comentários efêmeros em jogos de alguns de seus ex-times.

Os que ainda estão na ativa, e os que ainda têm muitos anos para nos irritar, jogam mal: porque muitos são a raspa do tacho do encalhe da xepa da feira empresarial dos jogadores antes mesmo de completarem 18 anos de idade, porque o fazem de forma proposital por seu desinteresse no que são pagos para fazer. Erram passes básicos, se machucam misteriosamente em treinos de pouquíssimos minutos, demoram uma eternidade para entrar em forma, mas, se os salários hiper acima da média até mesmo de pessoas ricas no Brasil atrasarem um, dois meses, ficam chateados e aí é que a coisa desanda.

É triste ver pessoas vibrando com jogadores como Elias, o resto do resto do mercado europeu, louvando-o como o grande craque da Gávea. Assim como Renato Augusto ser o grande cérebro do Parque São Jorge. Não odeio esses times, e vi jogadores meia-boca deles em campo que hoje seriam craques de bola. E um bando de gente achando isso formidável…

Pior são aqueles que ignoram a relação entre a “otarice” que chamam de paixão pelo time, quando vencem um jogo medíocre, geralmente um clássico local, e a alimentação às ações dos dirigentes de seus clubes. Esses enchem o peito e dizem na imprensa que mandaram bem em seu suposto “planejamento”, que estavam sendo perseguidos, mas que estavam certíssimos em peitar quem duvidava de sua capacidade gerencial. Bando de oportunistas de plantão!

Fico impressionado como isso vem de muitas das mais numerosas torcidas, incluindo a do meu time, claro, como sendo uma espécie de habeas-corpus para os descalabros dos indivíduos obscuros que entram e saem dos clubes “cheios de profissionalismo e ótimas ideias inovadoras”.

Penso: sou torcedor de um clube que não tem dono, não é uma empresa com acionistas, não é uma ONG e nem um governo de estado. O que eu sou do clube? Nada. Não tenho influência em coisa alguma e ainda sofro, quer dizer, sofria, em meu caso, com ações descompromissadas com o sentido de amor de uma enorme coletividade da parte de indivíduos que poderiam estar traficando armas, desviando dinheiro de empresas ou ocupando cargos públicos por espúrias indicações de favorecimento político, erótico e/ou familiar.

Luiz Alberto Couceiro

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

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