“A culpa é do processo… ha, ha!” (por Paulo-Roberto Andel)

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RONALDINHO E O CLÁSSICO

Amanhã tem apresentação de Ronaldinho no Maracanã. É dia de festa. E de jogo duro.

Faço minhas as brilhantes palavras do Zeh Augusto Catalano na coluna de ontem: que tudo seja paz.

Aliás, as pessoas precisam ler o Catalano direito, porque é um dos raros talentos da escrita onde humor, talento, polidez e crítica andam juntas permanentemente. Orgulho desta equipe. Um gênio.

O Flu vem numa grande campanha, mas todo cuidado com o rival é pouco. Costuma ser a insuportável pedra no sapato de 1993 para cá. Clássico não tem moleza. Precisamos vencer.

Saber que Ronaldinho vai vestir a camisa do Fluminense é algo sensacional. Trata-se de um craçaço. Dando certo ou não, daqui a um ano terá feito jogadas que até Deus duvida. Títulos, nem Pelé poderia garantir, mas as boas sensações são evidentes, embora não devam ser tratadas com megalomania.

E foi muito legal para a autoestima tricolor, ainda que nada disso fizesse parte do propalado planejamento de escáutis etecétera.

Com a vibração na contratação da fera, os tricolores mais jovens (com menos de 45 anos de idade) puderam experimentar um pedacinho das sensações que a Máquina do Dr. Horta proporcionou. Ou a chegada de Romerito. Ou a de Romário.

Que este domingo no Maracanã tenha o aroma e o tempero dos inesquecíveis anos 70 e 80 para a gente. Naqueles tempos dava tudo certo: ríamos até de gol contra e o Fluminense virava o jogo. O Vasco sofria, sofria.

FLU FEST

Todo o sucesso do dia de hoje tem nome e sobrenome. Dhaniel e Heitor, Cohen e D”Alincourt.

É claro que muita gente ajudou, mas sem esses dois, o Fluminense não teria saído da Idade Média sociocultural em que vivia.

Louvados sejam os apoiadores, mas é importante firmar o nome dos dois amigos; afinal, na hora da festa o que não falta é papagaio de pirata querendo os louros.

Finalmente os portos tricolores abertos às nações amigas. Todo mundo reunido, pouco importando sobrenomes ou contas bancárias.

Se colocarem Dhaniel e Heitor para resolverem a maldição da venda de ingressos sem ópitim, garanto: eles vão dar jeito na coisa. Os caras são Fluminense body and soul.

A PIADA DA NOITE

Quinta-feira passada, cheguei em casa cansadão. Expediente no trabalho desde às sete da manhã, emendado com o lançamento do livro do David Portes no Rio Sul (“O segredo do sucesso”, confiram). Dez e tal da noite. Roupa, banho, beijo na namorada cansadíssima, o expediente ainda não tinha acabado: era preciso ainda revisar e editar as publicações deste PANORAMA, para que você aqui se divirta, ria, chore e reflita sobre as coisas do Fluminense.

Uma hora e de trabalho, liguei a TV e vi que a ESPN transmitia na íntegra a coletiva do Fred. Que bom. Bem diferente de um ano e meio atrás, quando o canal se limitava a ridicularizar e ofender o Flu para todo o Brasil – e pode ser que este sítio de cronistas tenha ajudado na mudança desse paradigma, com a combatividade das colunas aqui publicadas à época, muitas delas com minha assinatura. Acompanhei e achei boa. Só que o expediente não tinha acabado: era preciso responder N – (K +1) emêios, tuíteres e imbóquis.

Grata surpresa negativa: dois amigos de respeito da torcida tricolor (que sequer são próximos, ideologicamente falando) escrevendo quase que subitamente a mesma sentença, com vocabulários diferentes.

“Paulo, estão dizendo que você criticou a venda de ingressos do Fluminense porque estão te processando…”

Confesso que ri da situação. Demais. Afinal, era uma piada. Ou só poderia ser tratada como. E aproveitei para conversar com ambos sobre amenidades e outras coisas mais.

É impressionante constatar que alguns tricolores não têm o discernimento necessário para separar questões individuais e coletivas, por mais democrático que seja o pensamento.

Ou que alguns sejam incapazes de compreender que a crítica construtiva tem o objetivo de promover melhorias e fortalecer causas. Só lhes serve elogios ou conveniências, vide o texto sobre o boquirroto Peninha. Favor não confundir a crítica construtiva com a vociferação oca, ofensiva e primitiva. Basta dizer que o atendimento aos torcedores foi muito ruim e os patrulheiros da ideologia tricolor assanharam-se.

Mais engraçado ainda é quem tenha ficado incomodado com a própria edição esdrúxula que fazem dos fatos. Tomaram para si o século XXI inteiro, base do meu argumento publicado na quinta-feira. Piada.

Estar no governo de um clube em qualquer cargo ou função, apoiá-lo ou elegê-lo não deveria significar leniência para com seus equívocos pelo caminho – aliás, esse é um problema do Brasil como um todo e o Tricolor naturalmente não está infenso a tais questões.

Sinceramente, recomendaria às desmunhecantes cracatoas de Facebook que perguntassem ao próprio presidente Peter Siemsen a respeito do que já escreveu elogiosamente sobre minha pessoa em correspondências que trocamos: provavelmente se transformariam em avestruzes só para enfiar a cabeça debaixo da terra, isso com um mínimo de vergonha no bico.

Ainda sobre o presidente: como tricolor e sócio, tenho a obrigação de torcer para que acerte na maioria das vezes e é o que faço diariamente. Mas não sou seu eleitor (embora tenha declarado meu apoio à sua reeleição por motivos pontuais em 2013 – não me deixo levar por conversinha de rebaixamento…), tenho críticas à atual gestão (todas publicadas aqui) e nem de longe ajudar o Fluminense significa fazer desta tribuna um espaço de chapa branca, assim como também jamais será o de oposição gratuita. No PANORAMA, nossos leitores são suficientemente esclarecidos para distinguir política de politicagem, assim como análise crítica de panfletagem.

Quanto ao argumento (leviano) de “criticar o mau serviço de venda de ingressos por estar sendo processado”, o que posso dizer é que se trata de uma afirmativa pueril, representativa de mentes doentias incapazes de conjugar a torcida pelo Fluminense com a sobriedade intelectual. Gentinha invejosa, rancorosa, agarrada a desimportâncias e que se dói porque meus esforços literários são reconhecidos publicamente. Nada mais do que isso.

Em tempo: Bruno Carril fez uma coluna muito melhor e mais abrangente do que a minha sobre o tema, publicada no Observatório do Fluminense.

MEIO CHEIO, MEIO VAZIO 

“A oposição está com as pessoas que levaram o clube à terceira divisão em 1998”.

“A situação está com as pessoas que levaram o clube à segunda divisão em 2013.”

As duas sentenças estão corretas. A diferença está nas circunstâncias midiáticas envolvidas no processo, bem como as edições da história.

Não existe ser infalível. Eu erro. Você erra. Todos erram. Quer ver? Clique aqui

Somente um tipo de pessoa não erra: a mentirosa.

MERCADO LITERÁRIO

Fui autor contratado por uma editora.

Quem já teve a oportunidade de ser contratado para publicar um livro sabe que, na ocasião do contrato, o autor cede à editora os originais (por tempo fixo) e ela decide sobre todo o processo a seguir: ilustrações, capa, papel, fonte, gráfica, tamanho, divulgação. Ponto. Praxe no mercado editorial brasileiro. Todo o agradecimento à minha editora da época por seu trabalho fantástico.

Uma vez pagos, nem Paulo Coelho e Chico Buarque se metem em capas de seus livros.

É mais ou menos como acusar o motorista do ônibus novo por uma peça perfeita do veículo, vindo de fábrica, ter sido quebrada antes do primeiro trajeto sem o motor ter sido ligado.

Dizer nas redes antissociais que manipulei o patrimônio de terceiros é apenas a singela expressão da mais profunda ignorância sobre o assunto e a lida editorial vigente no país. Vindo de quem vem, faz todo sentido.

O resto é Justiça.

RESUMO

“Eu não sou vigia da poesia alheia” (Carlito Azevedo)


Ha, ha, ha, ha” é uma homenagem ao estilo personalíssimo de Helio Fernandes, gênio do jornalismo brasileiro. 

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

Imagem: eaguiar

livros paulo 2

4 Comments

    1. Andel: Meu trabalho não é dirigido a analfabetos como você. O teu DNA tem quatro patas.

  1. Bom dia, seus textos sobre as vitorias do fluminense sao da mais alta qualidade, mas infelizmente ninguem é perfeito, seu posicionamento politico estraga os outros textos, politica é o grande mal do mundo, vc confunde as coisas, critica o clube baseado em paixao apenas e nao em logica que é a melhor coisa para se decidir sobre um assunto (logica). Deixei de seguir vc no face por causa disso, sei que talvez nao importe pra vc minha opiniao mas pense um pouco sobre isso.

    1. Cara, claro que é importante.

      Eu não me igualaria a você, que remove do Facebook quem escreve o que você não quer. Tanto que o teu comentário foi publicado.

      Você veio aqui porque quis. Ninguém te obrigou.

      Se está procurando um mundo de Pollyanna onde tudo é perfeito e belo, veio na coluna errada.

      Não seja leviano em julgar ninguém por Facebook. Seria tão ridículo quanto eu julgá-lo pela incompreensão da publicação.

      Quanto ao seu comentário sobre confusão, é pueril ao extremo. É melhor desistir da carreira de crítico literário de blogues.

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