21 de julho, Fluminense! (por Eric Costa)

eric green

Não me lembro, com honestidade, quando te olhei pela primeira vez.

É provável, aliás, que antes de vê-lo, tenha-o sentido. Tenha escutado seu nome e seu hino ainda no ventre de minha mãe.

Se em minha condição humana estou limitado a não lembrar ao exato quando foi o primeiro olhar, sei muito bem, entretanto, que o começo de minha lucidez racional foram naqueles tempos difíceis dos quais você lembra tão bem sobretudo para não repeti-los.

Estive incansavelmente ao seu lado na segunda. Na terceira, jamais soltei sua mão.

Tanto me guiaram a apreciar outras cores, meu Fluminense. Dezenas e dezenas de vezes.

Mas jamais sequer olhei para o lado. Por suas cores – e somente por elas – sempre tive um fascínio único e singular. Um encantamento descomunal. Com meus infantis olhos de anos atrás, combinados à dificuldade e aventura de quem vai conhecendo o mundo, ver o verde, branco e grená era – e ainda é – experimentar uma emoção especial e diferente a cada olhar.

Aquele “FFC” trançado e cunhado em seu escudo sorri. E para ele, meu coração sempre abriu em largo sorriso de volta.

Os anos passaram e comecei a aprender o significado de “paz, esperança e vigor”. Palavras que são muito além do que verbetes de um dicionário, mas valores humanos que por você, meu Fluminense, soube com maestria seu poético significado e os carrego para minha vida, junto ao seu pavilhão.

Cresci. Chorei tantas vezes como uma criança ao vê-lo em campo e, na maioria absoluta delas, por épicas vitórias. Me comovi nas derrotas e delas busquei fazer sempre alicerce, junto ao meu inquebrantável sentimento, para as vitórias. Ser Fluminense, já diria Artur da Távola, é, afinal, vencer-se primeiro para ser vitorioso depois.

Paraliso-me em profunda comoção e quase transe a cada vez que o destino me confere o prazer de avistar ou pisar na esquina entre Álvaro Chaves e Pinheiro Machado. Sufoco-me em história ao entrar por seu portão e contemplo sem pressa a paisagem das Laranjeiras, lugar que parece te abraçar sem ser personificado – ainda que, para mim, Fluminense, seu escudo continue tendo um largo sorriso.

Carrego, sem sentir seu peso, um imperecível e rodrigueano estandarte de paixão.

Sigo suas cores sem hesitar e sei que assim até a morte será.

Ah, meu Tricolor – único, diga-se de passagem – talvez não seja agradável falar sobre morte em um dia como hoje, mas para os efêmeros como eu este é talvez o tombo definitivo. Preocupação que foge a você. Tu és atemporal, eterno e transcendental em grandeza às limitações humanas.

Pessoas entram e saem. Ciclos se abrem e fecham nas vidas de cada um que veste sua camisa e até mesmo dentro de você. Times, técnicos, campeonatos, derrotas e até mesmo as vitórias passarão. Mas você é a história. Enquanto tudo passa, você não passará jamais.

Obrigado, Fluminense, por ser parte indissociável de minha existência. Você, nas piores fases da minha vida, me fez sorrir junto com seu escudo e eu a todo dia defendo e defenderei sua camisa em qualquer lugar deste plano ou de outro, onde quem sabe encontrarei Nelson, Ézio, Castilho, Assis, Washington e tantos outros guerreiros imortais devidamente sentados ao redor de João de Deus.

Você é a própria história e eu repito isto com todas as licenças poéticas, pois escrevê-la é seu ofício diário. É sua natureza intrínseca. Fluminense: clube cuja infinitude vem de sua própria etimologia. Fluminense, do latim flumen. Fluminense, de rio, daquilo que flui. E se o sentido deste fluxo ainda não estiver claro, eu vos pergunto finalmente: de um clube definido pela mais bela combinação das cores, de um grená, verde e branco tradutores do amor, vigor, esperança, fidalguia e paz, o que esperar além da própria eternidade?

Os tricolores, como em todos os dias, hoje te abraçam.

O Cristo, redentor aos céus do Rio, te abraça ininterruptamente. Sábio que é, está virado para as Laranjeiras, contemplando uma das maravilhas que este mundo possui, e simbolicamente de costas àquilo que a história reservou ao papel de resto.

E eu nem preciso dizer: Você bem sabe aquilo que está ao redor do Cristo, não é? Não são nuvens. É pó-de-arroz.

Eu te amo.

E eu te amo porque você sempre me deu isto de volta. Sempre abraçou como eu sou e não por aquilo que visto ou possuo. Meu amor por ti e o seu por mim é um amor simples, sem exigências, ambições ou vaidades. Um amor em essência.

Eu simplesmente te amo. E a despeito de como você está, de quem ocupa lugares dento de ti, Fluminense, eu te amo como você é. Porque, afinal de contas, os lugares e cadeiras que realmente lhe importam não são as acolchoadas ocupadas por ternos de linho. Seu amor é pelas de concreto. É lá, nas arquibancadas moldadas a emoções e regadas a lágrimas, em que os verdadeiros sentam.

Extensão do meu ser, obrigado por existir.

Parabéns, Fluminense. São 114 anos de história.

Saudações tricolores.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @ericmcosta

Imagem: ec

o fluminense na estrada set feature

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